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Estado de Minas VIROU MODA?

Por furto ou prevenção, veículos circulam nas ruas sem o estepe

Apesar de não existirem dados oficiais sobre o aumento da incidência desse tipo de furto, é fácil encontrar veículos sem o estepe


postado em 09/08/2015 16:05 / atualizado em 16/08/2015 16:24

(foto: Arte de Marcelo Monteiro sobre foto de Ford / Divulgação)
(foto: Arte de Marcelo Monteiro sobre foto de Ford / Divulgação)

Desde o lançamento do Ford EcoSport, em 2003, o estepe fixado na tampa do porta-malas se tornou um acessório fundamental nos modelos aventureiros. Acontece que, de um tempo para cá, é possível notar que vários estão circulando por aí sem o pneuzinho pendurado. É o caso da supervisora de vendas Alexandra Moreira Gonçalves, que teve o sobressalente do seu EcoSport furtado. “Abriram o porta-malas, pegaram o segredo do parafuso antifurto e roubaram o estepe”, relata.

O valor do prejuízo não foi baixo. Segundo Alexandra, a nova roda de liga-leve, o pneu e o parafuso antifurto ficaram em R$ 1.600. “Uma amiga que tem o mesmo carro teve um prejuízo ainda maior. Foi no Posto Chefão. Eles queriam o estepe, mas, quando abriram o porta-malas, viram que tinha equipamentos caros e levaram tudo”, disse a supervisora, que ainda conhece outro dono de EcoSport que teve o estepe furtado duas vezes. “Depois disso, ele fez uma engenhoca para dificultar a ação dos ladrões e instalou no meu carro também. Ficou feio, mas eu tampei com uma capa e pronto”, explicou.

Carlos Renato Pereira Dias, da Polimarcas, loja especializada em rodas e pneus, conta que todos os dias ao menos dois clientes relatam que tiveram o estepe ou as rodas furtados. “Eu até aconselho os clientes a usarem estepes mais baratos, mas eles estão roubando até rodas de menor valor comercial, como as de aço”, relata Carlos. Ele conta que, para alguns modelos, é difícil encontrar um estepe mais simples, por causa da furação.

A OCASIÃO A Polícia Civil de Minas Gerais não tem dados estatísticos sobre o roubo de estepes. De acordo com o delegado Rogério de Castro Cedrola, da 4ª Delegacia do Centro da capital, dentro do fluxo de registros, não é possível afirmar que o estepe fixado na tampa do porta-malas é mais furtado que os que ficam dentro ou debaixo do veículo. Ele conta que o estepe visível é mais fácil de ser subtraído, mas o que determina seu furto é o ambiente em que o veículo está estacionado: locais pouco movimentados e no período noturno. Outra informação prestada pelo delegado é que, muitas vezes, o sobressalente não é o único foco da ação, que também visa o furto de outros objetos que estão dentro do veículo.

MODUS OPERANDI “Um pneu desse aí eu vendo por R$ 600 ou R$ 700. Se eu roubar três desse aí, imagina, né, senhor. Sozinho, é quase R$ 2 mil no dia”, relata um ladrão de estepe, preso em flagrante, num vídeo disponível no YouTube. A sequência do vídeo confirma as palavras do delegado, pois é possível ver que o veículo usado pelo ladrão já estava carregado com três estepes, mas também diversos rádios, roupas e óculos de sol, furtados na mesma ocasião. O site de vídeos, além das redes sociais como o WhatsApp, são fonte rica de gravações que mostram o modus operandi desses ladrões.

Por furto ou por prevenção, não é difícil encontrar pelas ruas da capital modelos aventureiros sem o estepe(foto: Pedro Cerqueira / EM / D.A Press)
Por furto ou por prevenção, não é difícil encontrar pelas ruas da capital modelos aventureiros sem o estepe (foto: Pedro Cerqueira / EM / D.A Press)
Geralmente, eles agem em dupla e com o suporte de um veículo (muitas vezes roubado). Em uma tentativa de furto presenciada pela reportagem no Bairro Gutierrez, dois marginais chegaram a bordo de um VW Gol preto e pararam atrás de uma VW Amarok. Enquanto um ladrão desce do carro e inicia a tentativa de subtrair o estepe, o outro aguarda dentro do veículo, pronto para uma fuga rápida. O furto só não se concretizou porque um dos ladrões identificou a presença da reportagem e voltou para seu carro, que rapidamente deixou o local.

Os vários vídeos disponíveis na internet mostram que a maioria dos ladrões age desta mesma forma, com pequenas variações. Em um deles, o larápio chega a bordo de um Fiat Uno, que para atrás do carro que será surrupiado. O delinquente abre o capô do Uno para simular um defeito mecânico e rapidamente furta o estepe do carro à sua frente. Guarda no porta-malas, fecha o capô e vai embora. E se engana quem acha que o estepe guardado dentro do veículo está mais a salvo, já que os ladrões quebram vidro ou arrombam portas para pegar o pneu sobressalente.

PROTEÇÃO Para dificultar a vida dos larápios, existem no mercado alguns sistemas para proteger as rodas e o estepe. Um dos mais usados é um parafuso sem arestas, com uma espécie de segredo no centro, exigindo uma ponta específica que deve ser encaixada na chave de roda para retirá-lo. Fique atento para um tipo de parafuso antifurto mais barato, que, por ter arestas, é mais fácil de ser retirado. Outro método muito usado é a corrente ou um cabo de aço envolvido por uma mangueira, que exigem chave para abrir. Para os estepes localizados debaixo do veículo, também existe um tipo de trava específico, que abre por meio de uma tetrachave.

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