DRLs bem no fim do túnel

Luz diurna ainda está longe de ser adotada pela maioria dos carros à venda no Brasil

Equipamento que atende aos motoristas na lei do farol baixo, luz diurna (DRL) ainda é exclusividade de carros mais caros no Brasil. Por isso é bom ficar literalmente ligado

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postado em 16/08/2016 15:54 / atualizado em 16/08/2016 18:18 Bruno Freitas/Portal Vrum

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Você dirige com frequência nas estradas? Se a resposta for sim, a obrigatoriedade do uso do farol baixo desde 8 de julho trouxe uma preocupação a mais no seu cotidiano. Com a fiscalização no pé, multa de R$ 85,13 e quatro pontos na CNH para quem for flagrado em desconformidade com a Lei 13.290, o esquecimento em dias cada vez mais atribulados se tornou o grande vilão. Duas situações em especial exigem atenção do motorista: manter o botão giratório dos faróis no modo automático (sensor crepuscular, que só acende longe da luz solar) ou deixar o farol aceso ao sair do carro, o que drena a energia e reduz em até 50% a vida útil da bateria.

Para quem pensa que uma solução para o inconsciente está próxima, aí vai um balde de água fria: a maioria dos modelos de carros à venda no Brasil tem como equipamento de suporte apenas o alarme sonoro de farol ligado. Alguns modelos com o Hyundai HB20 e o Renault Fluence permitem o acendimento programado, desligando e ligando o farol baixo automaticamente, ao entrar e sair. Padrão em países com o Canadá e na Europa desde 2011, as luzes diurnas (Daytime Running Lights ou DRL, em inglês), que funcionam em tempo integral e poderiam ser a salvação de motoristas esquecidos, contudo, ainda são exclusividade de versões topo de linha de compactos, carros médios ou premium no Brasil, conforme mostra levantamento do VRUM.

Embora ainda não estejam presentes em modelos recém-lançados como Fiat Mobi, Chevrolet Onix reestilizado e Toyota Etios 2017, as DRLs apresentam, além da luminosidade superior à lâmpada amarelada, visibilidade centralizada (não miram o chão, como o farol baixo), muito mais fácil de enxergar pelo pedestre ou condutor que vem em sentido contrário. E é justamente por isso que a indústria automobilística aposta nelas. “Tecnicamente a luz diurna foi concebida para ser vista a longa distância, consumindo baixa corrente elétrica e não ofuscando a visão no sentido contrário”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Edson Orikassa.

Na Argentina, segundo o especialista, já existe a previsão de exigência do DRL de fábrica nos carros a partir de 2018. “A obrigatoriedade no Brasil depende de iniciativa do governo e análise dos fabricantes”, aponta.

Bruno Freitas/EM/D.A Press

Certo e errado: deixar o botão giratório na função automática (sensor crepuscular) acarreta multa - Bruno Freitas/EM/D.A Press Certo e errado: deixar o botão giratório na função automática (sensor crepuscular) acarreta multa
CUIDADO COM A GAMBIARRA Em mercados como os da Europa, kits de retro instalação das luzes diurnas em modelos que não contam de fábrica com o equipamento ajudam a resolver o problema – algo que não é seguido à regra no Brasil. O consultor técnico da Audi, Lothar Werninghaus, alerta que adaptar LEDs fora das especificações no para-choque ou grade frontal, como muitos brasileiros tem feito, não atende a legislação. “LED por si só não pode ser considerado luz diurna, pois não tem intensidade e altura corretos. O que determina a luz diurna é quantidade de lumens medidos a certa distância do carro”. Exemplo dessa aplicação é o novo crossover Edge, da Ford, cuja “assinatura” de LEDs no para-choque não é considerado pela marca norte-americana luz diurna. “Na Europa a adoção dos DRLs nos carros reduziu acidentes envolvendo idosos e principalmente crianças durante o dia em cerca de 25%. No Brasil, algumas marcas só adotam a tecnologia nas versões mais caras dos carros, tapando o lugar com plástico nas versões de entrada”, cutuca Werninghaus.

Para quem sempre esquece o farol aceso ao sair do carro, fabricantes de baterias alertam. Depois que descarregou uma vez, a vida útil média de três anos será afetada. “Desde a primeira descarga profunda, quando mais vezes a bateria sofrer a descarga, maior será a diminuição da vida útil. Em algumas condições, a bateria não consegue chegar à metade do tempo estimado”, analisa Marcos Randazzo, engenheiro da Johnson Controls, fabricante da marca Heliar. O especialista desmente o mito que o uso do farol baixo durante o dia desencadeia gasto maior de energia. “O consumo da bateria é decorrente pela quantidade de eletrônicos instalados no veículo”.

PADRÃO POR MARCA*


» Audi
Luz diurna em toda a linha

» Honda
Luz diurna no novo Civic, Accord e CR-V. Afirma expandir a tecnologia para outros modelos, além de estudar novos sistemas

» Hyundai Motor do Brasil (HMB)
Acendimento automático dos faróis no HB20

» Mercedes-Benz
Luz diurna em toda a linha

» Jaguar Land Rover
Luz diurna em toda a linha

» Jeep
Luz diurna em toda a linha

» Renault
Alarme sonoro nos modelos de entrada, acendimento automático dos faróis e luz diurna no Fluence

» Toyota
Alarme sonoro nos modelos de entrada e luz diurna na Hilux, Prius e linha Lexus (acessório no Corolla)

» Volvo
Luz diurna em toda a linha

*Fabricantes que responderam a reportagem

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