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Estado de Minas

Fim do Fiesta? Ford confirma fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo, onde modelo é produzido

Empresa vai encerrar as operações na planta ao longo de 2019 e deixará de comercializar as linhas Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta assim que terminarem os estoques. Conheça a origem desta unidade fabril


postado em 21/02/2019 09:08 / atualizado em 21/02/2019 09:30

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Era notícia esperada, contudo não deixa de causar tristeza. Há cerca de um ano havia fortes rumores de que, depois de anunciar o encerramento da produção do Focus na Argentina, a Ford tomaria a decisão de fechar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP).


Esta unidade fabril foi construída pela Willys-Overland, fundada em agosto de 1952. A produção se iniciou dois anos depois com o utilitário Jeep CJ-5, seguido pela perua Rural (precursora do que seria, hoje, um SUV), uma picape, além do sedã Aero-Willys (1960) e sua versão de luxo Itamaraty. A empresa também fabricou sob licença da Renault os compactos Dauphine e Gordini e, ainda, o Alpine A108, pequeno carro esporte rebatizado aqui de Interlagos, com mecânica Renault, nas versões berlineta, cupê e conversível.

A Willys apostou muito no Projeto M, tendo por base o médio-compacto Renault 12. Porém, dificuldades financeiras levaram à venda para a Ford de toda a operação brasileira, em 1967, incluindo as instalações às margens da Rodovia Anchieta. O Projeto M se transformou no Corcel, em 1968, cuja carroceria era completamente diferente do modelo francês, só lançado um ano depois na Europa, e também produzido na Argentina pela IKA.

No ano em que a Ford completa o centenário de sua fundação no Brasil, encerrar as atividades em uma unidade com tanta história é especialmente doloroso para os cerca de 2.800 empregados entre horistas e mensalistas. Toda a linha de montagem dos caminhões médios e pesados Cargo, dos caminhões leves F-350/F-4000 e do Fiesta hatch será interrompida de imediato. A marca não produzia caminhões na matriz há mais de uma década e o lançamento do Ka enfraqueceu muito o Fiesta com qual compartilha arquitetura.

A empresa reservou US$ 460 milhões (R$ 1,7 bilhão) para indenizar funcionários, concessionárias e fornecedores. Prejuízos financeiros na região da América do Sul foram de quase US$ 700 milhões (R$ 2,6 bilhões) em 2018. Estima-se que cerca de 60% originaram-se nas operações brasileiras, que incluem fábricas de veículos e motores em Camaçari (BA), motores e câmbios em Taubaté (SP) e campo de provas em Tatuí (SP). Atividades nessas cidades continuarão.

Há quem lembre a Ford contabilizar 24 trimestres consecutivos de lucro de 2007 a 2012. Apenas isso não garante a uma empresa manter-se saudável e gerar caixa suficiente para investir, em especial se o mercado local minguar quase 50%, como aconteceu aqui. Opção pode ser encolher ou, em caso extremo, sair de um país.

É bastante provável que a GM tenha chegado a um acordo em São José dos Campos (SP) porque estava próximo o anúncio sobre o encerramento das atividades de outro fabricante no mesmo Estado. Tais informações vazam nos bastidores e a preservação dos empregos falou mais alto aos sindicalistas.

Precisa ficar claro: produzir veículos no Brasil com a carga fiscal insana sobre os produtos, baixa produtividade, alta burocracia e deficiências graves em infraestrutura, só para citar alguns entraves, é um fato, apesar de oportunidades poderem surgir no futuro. Diminuir investimentos ou fechar uma fábrica são alternativas dolentes, incontornáveis. Não se trata de vã ameaça, porém reflexo do mundo real.

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