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Estado de Minas

Rolimã - Kombi

Em 2 de setembro, a Kombi completará 50 anos em produção no Brasil. É a prima maior do mais querido e já falecido Fusca, o que lhe garante simpatia, apesar dos inúmeros e graves defeitos de estabilidade e segurança que apresentou ao longo de cinco décadas. Mais de 1,5 milhão delas rodaram e rodam pelas ruas do país, sejam asfaltadas, esburacadas ou que nunca viram a cor do pavimento ou calçamento


postado em 22/04/2007 10:00

(foto: Jeppe Michael Jensen/AFP - 22/9/6 - Pixar/Divulgação)
(foto: Jeppe Michael Jensen/AFP - 22/9/6 - Pixar/Divulgação)
A KOMBI É CULT

Lars von Trier foi da Dinamarca até Cannes, na França, dirigindo uma Kombi. O diretor nórdico, que produz um cinema cru, cheio de regras e preceitos - autor de Dançando no escuro (2000), Dogville (2003), Manderley (2005) - simboliza o magnetismo do monovolume de 57 anos da Volkswagen, quando está próximo de chegar à terceira idade. A Kombi se tornou um ícone para lá de cultuado, preferido de 10 entre 10 dos descolados que fazem viagens pelos caminhos de Che Guevara e Alberto Granado, na América, que querem conhecer os castelos medievais da Europa ou vislumbrar os crocodilos na Austrália, país, aliás, onde é admiradíssima, basta ver os sites da KombiClub e da VWKombi.

Se você viveu uma boa história a bordo de uma Kombi, envie seu relato para o caderno de Veículos do jornal Estado de Minas. Endereço: Avenida Getúlio Vargas, 291, 2º andar, Bairro Funcionários - Belo Horizonte, Minas Gerais - CEP 31.112-020. Ou clique aqui e mande um e-mail: veiculos.em@uai.com.br.

É pop
O apego de Lars von Trier, entretanto, não deixa a Kombi estacionada no limbo da contracultura. O xará do diretor, Lars-Olav Beier, escreveu um artigo para a revista semanal alemã Der Spiegel, que lista as aparições de sua conterrânea na grande mídia. Beier cita propaganda da Hollywood Reporter, no dia da premiação do Oscar deste ano (o supra-sumo da cultura de massa), que estampou a velha senhora da indústria automotiva vestida de verde, com motivos florais, como o personagem Fillmore, da animação Carros, do estúdio Pixar e da Disney.

E é vedete
Beier segue citando Pequena Miss Sunshine, recém-lançado em DVD no Brasil, no qual uma família viaja pelos EUA a bordo de uma velha Kombi amarela; depois outra, azul e branca, na qual Leonardo DiCaprio explode as estradas de Sierra Leone, em Diamante de sangue, e até uma mais trágica, que leva Nelson Mandela (interpretado por Dennis Haysbert), em Goodbye Bafana.

A primeira
A primeira Kombi saiu de um pequeno armazém alugado no Bairro Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo. O motor era o 1.200cm³, de 36 cv de potência. Entre várias motorizações e versões, a Kombi deixou o motor refrigerado a ar em dezembro de 2005 e, desde janeiro de 2006, usa o 1.4 Total Flex, que rende 78 cv com gasolina e 80 cv com álcool.

O último
A Kombi representa realidade diferente do último modelo lançado no mercado nacional - excluindose as reestilizações - a Renault Mégane Grand Tour, em dezembro do ano passado. Pelas curvas do design, pelos itens de segurança, que incluem airbag frontal duplo e freio ABS com EBV, a perua francesa, produzida na fábrica de São José dos Pinhais (PR), é uma amostra de que cinco décadas significam muita coisa, quando o assunto é evolução da indústria automobilística.

Há quem odeie
Em São Paulo, a Companhia Cênica Farândola Troupe está em cartaz com o espetáculo Eu odeio Kombi. Na capital dos pastéis e das feiras livres, os artistas não serão vaiados, mesmo porque os feirantes estão proibidos de gritar, por decreto municipal. A Kombi é clássica por transportar verduras e legumes e ajudar na fritura dos pastéis de carne, de queijo e, em muitos casos, até destila a garapa. O título da peça, entretanto, é apenas jogo de cena. Os dois atores põem a culpa da miséria humana que os aflige na Kombi, que fica imóvel, mas, de vez em quando, ameaça uma faísca, solta fumaça e, como representante de um tempo que não retorna, irrita o passivo ser humano.

Há quem ame
O artista plástico Reynaldo Berto não nega a influência de Romero Britto em suas obras pop e multicoloridas, que retratam cenas urbanas invadidas por profusão de Fuscas e Kombis. Como essa (foto acima à esquerda), que esteve exposta no último Salão do Automóvel de São Paulo e não deve nada em psicodelia ao furgão do Scooby-doo.

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