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Estado de Minas

Rolimã - 15/07/2007


postado em 15/07/2007 15:00

(foto: Maiquel Torcatt/AFP)
(foto: Maiquel Torcatt/AFP)
O lado vermelho da força

As novas armas de Hugo Chávez em sua pirraça particular contra o império capitalista são a essência daquilo que ele briga: automóveis, supra-sumo do capital. A salada populista do presidente da Venezuela viabilizou a companhia Venirauto, uma corruptela entre Venezuela, Irã e automóveis. No país do Oriente Médio, são produzidos os modelos Turpial e Centauro.

PASSARINHO
Turpial é o nome de uma ave na Venezuela, que no Irã é chamado de Saipa. No mundo dos automóveis tem a plataforma do velho Kia Pride, um sedã de quatro portas produzido entre 1986 e 2000. Ainda fabricado no Irã, é equipado com motor 1.3 de quatro cilindros e potência máxima de 62 cv. Preço: R$ 16 mil.

ALAZÃO
O Centauro é chamado no Irã de Samand, nome de um cavalo de corrida. Apesar do apelo à velocidade, a potência do bólido é de 100 cv e a velocidade máxima, de 185 km/h. Equipado com o motor 1.8 de quatro cilindros. O carro é o mais vendido do país do Oriente Médio e baseado no arcaico Peugeot 405. Preço na Venezuela: R$ 22 mil.

FORÇA ESTATAL
O governo do Irã tem 51% das ações e o da Venezuela 49%, e o plano da companhia é vender 26 mil carros até 2010. Pelo menos 300 unidades estão com distribuição garantida, pois foram entregues pelo governo da Venezuela para cadetes das forças armadas no início da última semana. (acima). A mão do governo não pára aí. Os modelos são isentos de Imposto Sobre Valor Agregado (IVA) e, por isso, são mais baratos do que os rivais produzido pelas multinacionais.

DÉJÀ-VU
Marcar posição e ser firme diante de um ideal tem objetivo político e social, mas, quando o assunto é automóvel, a ligação com o atraso é certa. Os modelos iranianos, com tecnologia européia ultrapassada, que desembarcaram na Venezuela, são déjà-vu para o que aconteceu em Cuba com os modelos produzidos pela Lada, da extinta União Soviética.
(foto: Jorge Silva/Reuters - 26/8/00 / Jose Goitia/AP - 17/2/00)
(foto: Jorge Silva/Reuters - 26/8/00 / Jose Goitia/AP - 17/2/00)

ADAPTAÇÃO
Após a revolução deflagrada por Che Guevara, Fidel Castro e companhia, em 1959, e o conseqüente bloqueio comercial imposto pelo Estados Unidos, os modelos americanos que rodavam na ilha contam com a habilidade dos mecânicos locais, que promovem misturas inusitadas, como xampu e óleo de cozinha para fazer as vezes de um eficiente fluido de freio. Além de transformarem qualquer pedaço de lata em recortes de antigos modelos da Chevrolet, Ford, Chrysler, Buick, Cadillac e outras marcas que desfilavam por Havana nos tempos de opulência e desigualdade dos cassinos de Fulgêncio Baptista e que ainda rodam como táxi.

GAMBIARRA
Assim, além de consertar os antigos americanos, a opção era importar os soviéticos. Hoje, carros importados da Europa e do Japão já rodam pelo país. Mas é cena corriqueira encontrar mecânicos de ocasião embaixo dos automóveis fazendo um ajuste, ou melhor, uma gambiarra, como este Plymouth consertado.

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