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Estado de Minas

Rolimã - 26/08/2007


postado em 30/08/2007 10:56

(foto: Wagner Menezes/Scania/Divulgação)
(foto: Wagner Menezes/Scania/Divulgação)
RETÓRICA DO TRANSPORTE
Um trio de animadores profissionais é o responsável por produzir a dinâmica e conseguir, em pouco mais de um par de horas, soluções para o problema ancestral do transporte rodoviário brasileiro. O trio é liderado por Douglas Peternela (foto), anunciado como “consultor empresarial, palestrante e facilitador em programas de treinamento”. Peternela tem a voz excessivamente trabalhada e não faria feio como locutor em rádios FM e festas de cidades de um interior remoto, mas está no 3º Seminário Scania-NTC&Logística de Transporte e Segurança e quer idéias dos participantes, mesmo que não sejam novas.

ANIMADOR
O “consultor empresarial, palestrante e facilitador em programas de treinamento” arregaça as mangas da camisa preta – ornada por uma gravata roxa – e movimenta a cabeleira negra bem penteada enquanto busca "dinamizar" a platéia. Exibe um trecho do filme O céu de outubro (1999) e tenta com a história do astronauta Homer Hickam Jr. mostrar que é possível, mesmo nas piores situações, encontrar uma saída. Uso de filmes para motivar platéias – nem sempre entusiasmadas – é a especialidade de Peternela, co-autor de dois livros: Lições que a vida ensina e a arte encena (2004) e Outras lições que a vida ensina e a arte encena (2007).

PÚBLICO
A arte de dizer o mesmo com palavras diferentes também é a estratégia do 3º Seminário Scania-NTC&Logística de Transporte e Segurança para chegar a soluções para o transporte. Na platéia, empresários transportadores, executivos do setor de implementos, médicos especializados em medicina de tráfego e policiais rodoviários federais, principalmente, os que estão começando a profissão. Também estão estudantes do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) de engenharia da Fundação de Educação Inaciana (Fei).

MORTES
Os palestrantes destilaram números do setor, com o intuito de provocar a discussão. Informações da seguinte estirpe: enquanto o Canadá tem três mortes para cada mil quilômetros de rodovia no período de um ano, o Brasil tem 70. Os países da Europa têm uma média de 10 mortes nesse cálculo e os Estados Unidos 12. A informação foi passada pelo presidente da NTC&Logística, Geraldo Vianna, que acredita que o setor precisa de mais regulamentação. "Primeiro a regra, depois a fiscalização", afirma.

PREJUÍZO
Iêda Lima, que coordenou para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) o projeto Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Rodovias Brasileiras, relatou alguns números desse trabalho. Em valores de 2005, o prejuízo causado pelos acidentes com transporte de cargas chega a R$ 2,3 bilhões ao ano, sendo que R$ 1,5 bilhão é relativo a pessoas e R$ 725 milhões com materiais, como carga e veículos danificados.

DESPREPARADOS
O superintendente da Fundação Adolfo Bósio de Educação no Transporte (Fabet), Osni Roman, traçou o comportamento do motorista profissional com base em pesquisa realizada pela fundação: 79% são casados; 84% só estudaram até o primeiro grau; 54% só usam o cinto de segurança quando passam em frente a um posto policial e 55% já se envolveram em algum acidente. Mais: 23% admitem usar rebite, mistura de estimulante com álcool, e 25%, bebidas alcoólicas quando trabalham. Algumas frases lapidares permeiam os slides de Roman, como: "Muitos caminhoneiros acreditam que a potência do veículo reflete a dele".

AUSÊNCIA
O presidente do Denatran, Alfredo Peres, não foi fazer a palestra prevista. O órgão é o responsável por executar as leis de trânsito. Além disso, Peres acumula o cargo de presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que legisla sobre o assunto. Mandou em seu lugar um representante, que leu as últimas resoluções que tinham afinidade com o setor de transporte.

FUGA NÚMERO II
Sem Peres, que estava no Nordeste acompanhando o ministro das Cidades, a platéia se dividiu em grupos, "dinamizados" pela trupe de Peternela, e tentou repassar soluções para os problemas apresentados. O presidente da NTC&Logística, Geraldo Vianna, foi embora mais cedo e também se ausentou das propostas.

INTIMIDAÇÃO
Policiais rodoviários com a arma no coldre e japona preta se misturavam aos empresários, estudantes e jornalistas presentes. Quando se sugere que as propinas cobradas por policiais é um problema que precisa ser solucionado, um representante de uma transportadora, que foi policial rodoviário por mais de 30 anos e se aposentou no emprego público protesta: “É um assunto sensível e corrupção existe em todos os setores”.

LOBBY
Em outro grupo, um policial diz que, se fosse prender quem oferece propina, "60% da população estaria na cadeia" e completa dizendo que os motoristas autônomos já entregam o documento casado com o dinheiro. O fim da propina fica de fora da pauta de soluções para o transporte no Brasil.

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