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Estado de Minas ROLIMÃ

Bodas de um injustiçado


postado em 04/09/2011 15:36 / atualizado em 04/09/2011 20:13

(foto: Fundação Romi/Divulgação)
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
Amanhã, a pequenina Romi-Isetta faz 55 anos de Brasil. Para quem não liga o nome à carroceria, estamos falando daquele carrinho esquisitão, redondinho, com a porta na frente (como uma geladeira), o volante na porta, acesso lateral para o motor, freio de estacionamento e alavanca de marcha na esquerda, bitola diferente entre os eixos, sem porta-malas.
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
AUTOMÓVEL? Seu lançamento, em 5 de setembro de 1956, inaugurou também a indústria automotiva nacional. Esse foi o ano da posse de JK, que lançou um plano de metas que entre outras coisas ambicionava criar uma indústria automotiva nacional. Para incentivar o setor, foi criado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), que negou os incentivos fiscais à Romi. Tudo porque o modelo não cumpria alguns requisitos para ser classificado como automóvel, como ter ao menos duas portas e levar quatro pessoas, tornando o carro pouco competitivo. Assim, quem levou os louros como o primeiro automóvel brasileiro foi a peruinha DKW Vemaguet.
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
LANÇAMENTO O modelinho foi lançado com pompa e circunstância em um desfile na capital paulista, com direito a benção do cardeal dom Carlos Carmelo Motta e a presença do então governador paulista Jânio Quadros. A primeira unidade saiu da linha de montagem em 30 de junho. Também houve desfile no Rio de Janeiro, além de uma gincana com os artistas no badalado balneário do Guarujá. GAROTOS-PROPAGANDA Além das ações de marketing, houve maciço investimento em publicidade em importantes jornais e revistas. O casal Eva Wilma e John Herbert, muito popular na época, posou como garotos-propaganda. Os carros do Clube dos Proprietários de Romi-Isetta entraram em campo no estádio do Pacaembu para praticar um futebol automobilístico.
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
CORRIDAS Influenciados pela participação do modelo na Mille Miglia italiana de 1954, foi criada uma categoria para carros até 250cm³ (Romi-Isettas!), disputada em Interlagos. As maiores velocidades alcançadas batiam os 90km/h. Curiosa era uma versão conversível, que participou dessas corridas. Vale registrar que o carrinho também foi submetido a provas de aceleração, realizadas no aeroporto de Cumbica, e subidas de montanha na rodovia Caminho do Mar.
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
PRESIDENCIAL Em 1960, 25 Romi-Isettas participaram da Caravana da Integração Nacional, que partiu dos quatro cantos do país até a quase concluída Brasília. Conta a história que, como havia sido previamente combinado, na chegada da caravana o presidente Juscelino Kubitschek desceu de um helicóptero e desfilou no carrinho. PRÉ-HISTÓRIA A Romi nasceu em Santa Bárbara do Oeste (SP), em 1930, como uma oficina, a Garage Santa Bárbara, de Américo Emílio Romi e Carlos Chiti, seu enteado. Além de automóveis, a oficina fazia manutenção de implementos agrícolas. Logo passou a fabricar esses implementos, tornos e até tratores.
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
(foto: Fundação Romi/Divulgação)
TRATO FEITO O carrinho foi descoberto por Chiti numa revista italiana. Para estudar a possibilidade de fabricar o modelo aqui, duas unidades da Iso Isetta foram trazidas da Itália. Em junho de 1965, os sócios foram à Itália para encontrar a diretoria da Iso. O objetivo era obter licença para produzir o modelo no Brasil. Ficou combinado que a empresa italiana ficaria com 3% do preço de venda do veículo. FIM Foi construído um pavilhão de 25 mil metros quadrados para abrigar a linha de montagem. A busca por fornecedores nacionais resultou em um veículo com 72% (em peso) feito no Brasil. Mas o modelo não duraria muito no mercado brasileiro. No dia 13 de abril de 1961, a última Romi-Isetta saiu da linha de montagem, em Santa Bárbara. Nesses cinco anos, foram fabricadas 3 mil unidades no país.

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