Modernidade - Óleo não, fluido hidráulico!

Saiba por que usar corretamente os lubrificantes menos viscosos nos motores atuais é imprescindível para o funcionamento ideal dos automóveis e não esqueça o filtro

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postado em 27/05/2009 12:57 Pedro Cerqueira /Estado de Minas
Uso de óleos com menor viscosidade se justifica pela maior rotação e temperatura de operação dos propulsores modernos - Emmanuel Pinheiro/EM/D.A Press - 27/10/05 Uso de óleos com menor viscosidade se justifica pela maior rotação e temperatura de operação dos propulsores modernos
O óleo de motor dos carros mais modernos tem ficado tão fino que há pessoas que já não gostam de chamá-lo de óleo, e sim de fluido hidráulico. "A noção que temos do óleo é a de uma coisa grossa, viscosa. Mas ao balançar um frasco de óleo fino você pensa que ali dentro tem é água", conta Remo Lucioli, da Inforlub, um especialista em lubrificante. Lucioli adverte sobre a importância da manutenção correta do sistema de lubrificação dos motores mais novos, justamente os que usam esses óleos mais finos.

A evolução dos motores trouxe duas mudanças significativas em seu funcionamento: o aumento das rotações e da temperatura de operação. E essa nova situação é que demandou o uso de um óleo mais eficiente e mais fino, para circular com mais facilidade e rapidez. A ampliação da temperatura fez com que as folgas dos componentes do motor aumentassem, para que a dilatação das peças não travassem o motor. Para ter uma ideia, nesses motores o combustível é queimado em temperaturas mais altas, cerca de 600 °C, quase o dobro que antigamente.

Lucioli explica que, quando o óleo grosso é usado num motor feito para funcionar com óleo fino, o lubrificante demora mais a circular e fica em contato com o calor por muito mais tempo. O resultado disso é a formação de borra no motor. A própria bomba de óleo está dimensionada para fazer circular o óleo especificado pelo fabricante. Ele cita como exemplo um motor Zetec 1.0, que com 5.000 rpm circulam por minuto 23.4 litros de óleo 5W (mais fino, recomendado pelo fabricante). Se o proprietário usar óleo 20W (mais grosso), esse volume a circular passa para oito litros. Isso significa que vai circular apenas 1/3 do volume de óleo necessário, que ainda vai receber três vezes mais carga térmica.

A troca do filtro de óleo também deve ser feita no momento certo, segundo o especialista, junto com a troca do óleo. A idéia é prevenir que a válvula de retenção de fluxo, que funciona junto com o filtro, estrague. Esta válvula serve para impedir que o óleo que circulava no motor enquanto o carro estava funcionando escoe para o cárter quando o carro é desligado. Essa maior concentração de óleo faz com que o motor funcione por menos tempo sem o lubrificante quando o carro é ligado. De acordo com Lucioli, o óleo mais fino, aliado à maior vazão da própria bomba de óleo, funciona dentro do motor como uma peça fluida e não apenas uma película de óleo.

Os óleos considerados mais finos são os 10W, 5W e 0W, mas poucos entendem o que essa especificação significa. O primeiro número antes da letra "W" corresponde à viscosidade, quando o motor está frio e em baixas temperaturas. Já o número que vem depois do "W" se refere à viscosidade operacional, com o motor já quente e em funcionamento. Lucioli conta que as recomendações dos fabricantes são de manutenção básica, mas o proprietário pode reduzir a assiduidade das trocas e também usar óleo de qualidade superior aos especificados.

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