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Estado de Minas

Carregada de badulaques - Avaliação técnica da S10 2.4 Executive

Versão Executive da picape Chevrolet S10 2.4 tem acabamento de qualidade e amplo pacote de itens de série. A suspensão melhorou, mas ainda transfere irregularidades


postado em 30/07/2008 15:22

Modelo tem dimensões avantajadas, mas espaço interno é reduzido(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 11/07/08)
Modelo tem dimensões avantajadas, mas espaço interno é reduzido (foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 11/07/08)
Para impulsionar ainda mais as vendas da picape média S10, a General Motors fez algumas mudanças visuais no modelo 2009, que ganhou apliques de plástico na frente e traseira, novos estribos, rack de teto, rodas e tanque de combustível de maior capacidade. O motor 2.4 flex proporciona bom desempenho, mas o diâmetro de giro da direção é longo, causando transtornos nas manobras. O espaço interno é reduzido, principalmente no desconfortável banco traseiro.

Avaliação técnica

BOM

Vão do motor
O motor é montado longitudinalmente, favorecendo o acesso à manutenção em geral. A sistematização do vão está bem-feita, tem aspecto organizado e os itens de verificação constante têm fácil visualização e manuseio. A insonorização somente no lado interno do capô é satisfatória em relação ao habitáculo.

Altura do solo
Com carga útil simulada de cinco pessoas, mais 100 kg de bagagem e trafegando no percurso misto de provas não ocorreram interferências com o solo. Tem chapa em alumínio de boa espessura, que protege toda a zona inferior frontal do chassi e suspensão dianteira. O cárter e a caixa de marchas estão mais elevados.

Climatização
É por comando manual. Apresentou bom funcionamento, com boa vazão de ar pelos difusores do painel, que têm ótima angulação do corpo principal e das aletas internas. A rumorosidade, mesmo na máxima velocidade, é satisfatória e não há saídas especificas para os passageiros de trás, nem regulagem de temperatura diferenciada para condutor e passageiro. Está bem vedado.

Freios
Tem sistema ABS nas quatro rodas, que atuou com eficiência, trazendo mais segurança e confiabilidade no uso misto, com o veículo vazio ou carregado. O conjunto está bem dimensionado e calibrado, e o pedal de freio tem boa sensibilidade. Apresentou reações equilibradas nos dois eixos, mesmo em frenagem de emergência simulada sobre piso de asfalto seco e terra cascalhada. O freio de estacionamento é por comando a pedal e atuou normalmente.
Banco traseiro é desconfortável, pois não apoia bem as pernas. Já a caçamba, com proteção plástica, tem boa capacidade de carga
Banco traseiro é desconfortável, pois não apoia bem as pernas. Já a caçamba, com proteção plástica, tem boa capacidade de carga

Motor
A performance é normal, sem muito brilho, mas satisfaz em dirigibilidade para proposta de uso desse tipo de veículo. O desempenho na estrada é um pouco melhor com álcool, quando se pode trafegar em rotações mais altas. A rumorosidade de funcionamento é aceitável, assim como a perda de rendimento quando o veículo está carregado e com o ar-condicionado ligado.

Vedação
Boa contra água e poeira.

Limpador do pára-brisa
Os esguichos são do tipo spray em V, com boa vazão e abertura. Quando acionados, ativam automaticamente o sistema de limpeza por meio de palhetas de boa qualidade. A área de varredura é aceitável e é fácil o acesso ao reservatório dágua dentro do vão do motor.

Alarme
O sistema é completo, com chave de ignição codificada, e tem proteção perimétrica das partes móveis e volumétrica dentro do habitáculo.

REGULAR

Acabamento da carroceria
A qualidade da pintura é razoável. Falta tela protetora na grade dianteira, deixando o radiador exposto a danos. O capô e a tampa da caçamba estão descentralizados e as quatro portas, desniveladas. A montagem dos vários acessórios (tomada de ar do capô, estribos, apliques no pára-choque dianteiro e tampa traseira, arco superior do teto, molduras envolventes dos pára-lamas, faixas adesivas etc.) aplicados na carroceria está bem-feita. A caçamba tem proteção plástica interna e tampa superior tipo capota marítima. Para segurança dos passageiros de trás, no vidro traseiro há grade protetora e arco superior.

Câmbio
As relações de marchas/diferencial atendem satisfatoriamente no uso misto, favorecidas pelo fato de o torque máximo do motor atuar em baixa rotação. A qualidade de engate é razoável em maciez e precisão, sendo o curso da alavanca e sua pega aceitáveis. Ocorre uma pequena rumorosidade na caixa, principalmente em marchas baixas, proveniente da base da alavanca no túnel central e também do diferencial traseiro, em quinta marcha, na faixa de torque máximo.

Suspensão
O conforto de marcha, que melhorou muito já na última unidade testada, está em nível aceitável para o modelo, mas as transferências das imperfeições do solo são evidentes sobre piso irregular. Tem ganho significativo de conforto quando o veículo está carregado. A estabilidade é normal em uso moderado, mas requer atenção, prudência e experiência em velocidades mais altas, principalmente quando sobre estrada de terra batida.

Direção
O diâmetro de giro é limitado em manobras de estacionamento e a velocidade do efeito retorno é aceitável. A coluna de direção tem ótimo curso de ajuste de altura do volante. As cargas do sistema assistido são razoáveis, mas o seu comportamento dinâmico na estrada, com veículo carregado, apresenta um "vazio ao centro" e também pequena instabilidade direcional.

Iluminação
O novo farol, com dupla parábola, tem boa eficiência no baixo e no alto e conta com auxílio dos de neblina embutidos no pára-choque. Peca por não ter regulagem elétrica de altura em função da carga transportada para a versão Executive. Tem luz de cortesia nos pára-sóis e porta-luvas. No teto, tem duplo plafonier, com dois spots reguláveis no direcionamento do facho e lanterna na zona central, com resultado satisfatório em iluminação. O quadro de instrumentos e interruptores elétricos dos painéis de porta tem fácil identificação noturna.

RUIM

Nível interno de ruídos
O habitáculo não é silencioso e o efeito aerodinâmico é notório a 100 km/h.

Estepe/macaco
O estepe tem a roda em aço e pneu diferente dos de uso em medidas e fabricante. A operação de troca é cansativa e não muito limpa. O estepe está acondicionado em suporte basculável por meio de mecanismo de cabo por baixo do vão de carga, com acionamento por orifício no pára-choque traseiro. Não tem inibidor antifurto, nem porca auto-adaptadora no kit de troca. Os pontos de apoio do macaco não são nas soleiras e, sim, no chassi.

Ferramentas
Não tem.

Avaliações do engenheiro Daniel Ribeiro Filho, da Tecnodan

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