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Estado de Minas

Ford Ranger XLT 3.0 turbodiesel 4x4 - Nova casca, mesmo recheio

Picape teve o visual modificado, ganhando aspecto ainda mais robusto e imponente. Conjunto mecânico é eficiente, mas modelo continua pulando muito e desconfortável


postado em 10/09/2009 11:27

(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 28/08/2009)
(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press - 28/08/2009)
No concorrido segmento das picapes médias pouco se cria e quase nada se transforma. Alguns modelos estacionaram na mesmice de anos e, com um tapa aqui ou um retoque ali, vão sobrevivendo graças ao amor incondicional de seus apaixonados admiradores. A Ford Ranger se encaixa perfeitamente nesse perfil. Teve o visual modificado para se atualizar, mas motor, transmissão e o sistema 4x4 são os mesmos. E os problemas também. Além de ser exageradamente grande, pouco prática no trânsito urbano, a picape é um mau exemplo em ergonomia, com bancos desconfortáveis e portas pesadas. Se for vista como carro para o trabalho, é eficiente, pois tem motor com muita força, boa caçamba e um sistema de tração apto para livrar qualquer um do aperto.

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Grandalhona

Se o objetivo é chegar abafando, impressionando pelo tamanho do possante, a Ford Ranger cabine dupla atende em todos os quesitos. Tem dimensões para lá de avantajadas e ganhou modificações no estilo que a deixaram com visual ainda mais agressivo. A nova frente tem grade com barras cromadas e tela no fundo. Os faróis são quadrados e grandes, com duplo refletor, bem eficientes. A versão XLT tem para-choques cromados, mas no dianteiro há uma grande abertura na parte central inferior, sem proteção, que deixa o radiador exposto. Nas laterais, providenciais estribos, que auxiliam no embarque e desembarque, já que a picape é muito alta. Os retrovisores externos de bom tamanho ajudam a melhorar ainda mais a visibilidade. Na traseira, lanternas com moldura interna cromada e lente transparente e estribo com piso antiderrapante.

Falta grave

A caçamba da Ranger cabine dupla tem boa capacidade de carga para quem quer uma picape para o trabalho. Mas a Ford pisou na bola por não oferecer nessa versão itens de série como proteção plástica para a caçamba e janela corrediça e grade no vidro traseiro. A única coisa disponível no compartimento de carga são os quatro ganchos para amarração das tralhas. Vale ressaltar que a tampa da caçamba é extremamente pesada. É preciso ter braços fortes para abrir e fechar.

Espaço

Com tração nas quatro e boa altura do solo, Ranger se sai bem no fora de estrada
Com tração nas quatro e boa altura do solo, Ranger se sai bem no fora de estrada


Apesar de ser grande por fora, a picape não tem espaço interno dos mais avantajados. Interessante é que, no manual do proprietário, está escrito que a lotação da cabine dupla é de cinco ou seis ocupantes. Um absurdo, pois existem apenas cinco cintos de segurança e não há conforto nem para cinco, quanto mais para seis. O banco do motorista e o volante contam com ajuste de altura, facilitando o posicionamento na hora de dirigir. Mas o banco não é dos mais confortáveis e o volante, por ser fino, exige mais esforço. O banco traseiro é ruim, pois não apoia bem as pernas, tem o assento curto e o encosto muito reto, causando desconforto. Pobre de quem é obrigado a viajar ali por mais de uma hora. E a Ford ainda afirma que é possível levar ali quatro pessoas, mesmo tendo apenas dois encostos de cabeça e o cinto de segurança central abdominal.

Acabamento

No interior, console central tem porta-trecos e acabamento com material de boa qualidade. O painel ganhou instrumentos com novo grafismo, de fácil visualização, mas é um pouco recuado, dificultando o acesso aos comandos. Aliás, os controles elétricos dos vidros na porta do motorista também estão mal posicionados, gerando desconforto no acesso.

Desempenho

O conjunto mecânico da Ranger é o mesmo, com motor 3.0 turbodiesel, câmbio manual de cinco marchas e tração 4x4 com reduzida. O propulsor tem ruído de funcionamento aceitável e não nega fogo, se destacando principalmente pela força, que fica visível acima das 1.500rpm. Abaixo disso demora um pouco para pensar, mas é questão de costume. Com a picape vazia, o desempenho agrada, com arrancadas e retomadas satisfatórias para um veículo pesado e que não foi projetado para imprimir altas velocidades. A transmissão tem marchas bem escalonadas, mas os engates do câmbio são pesados e o curso da alavanca é longo. O sistema de tração e reduzida tem fácil acionamento no painel e transforma a picape em um verdadeiro trator no fora de estrada. Com boa altura do solo e bons ângulos de entrada e saída, a Ranger cabine dupla enfrenta bem trechos com pisos acidentados e escorregadios, subindo e descendo morros cascalhados com total desenvoltura. Foi feita para encarar tranqueiras.

Cabrita

As suspensões da Ford Ranger também não foram modificadas, ou seja, continuam transferindo para dentro as irregularidades do solo. A picape pula como uma cabrita quando trafega sobre pisos irregulares, causando muito desconforto. E no asfalto, se o motorista entusiasmar com o pé no acelerador, a caminhonete apresenta uma certa instabilidade direcional, galeando de um lado para o outro. A direção tem assistência hidráulica bem calibrada, mas o diâmetro de giro é longo, obrigando o motorista a gastar mais tempo em manobras para estacionar. O sistema de freios com ABS nas quatro rodas mostrou eficiência em diferentes situações.

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