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Estado de Minas

Chery Face 1.3 16V - De olho no bolso

O novo compacto vendido no Brasil chega com um pacote completo de equipamentos e acena para os que buscam o puro custo-benefício, mas esbarra em pontos essenciais


postado em 07/08/2010 12:44

(foto: Fotos: Chery/Divulgação)
(foto: Fotos: Chery/Divulgação)
Itu/São Paulo - Criados no início dos anos 90, com a redução de alíquota de IPI para modelos 1 litro, os populares eram verdadeiros "pés-de-boi", espartanos e funcionais. O cenário começou a mudar na metade da década, incorporando itens de série e opcionais, além de uma dose de sofisticação mecânica, mas até hoje os modelos de acesso se mostram convidativos mesmo em matéria de preço inicial, sem seduzir pelos itens de série, que ficam restritos aos compactos premium ou aos médios. É justamente para atingir o público que deseja um carro completo sem gastar muito que a Chery traz o Face ao Brasil. O hatch chinês chega com uma proposta de custo-benefício puro, armado com o argumento que os fabricantes chineses exportadores mais gostam de evidenciar: o preço.

O custo-benefício no caso fica representado pela cifra de R$ 31.900 pedida pela versão única, que inclui itens como ar-condicionado, direção hidráulica com coluna de direção ajustável em altura, retrovisores, travas e vidros elétricos nas quatro portas, sistema de som com CD/MP3 e entrada USB, faróis ajustáveis em altura e de neblina, banco traseiro bipartido, além de duplo airbag e freios ABS com EBD (distribuidor da força de frenagem), indisponíveis sequer como opção na maioria dos populares brasileiros. Uma lista que busca solidificar a pretensão da Chery do Brasil de vender 6 mil unidades do compacto até o final do ano e outras 12 mil no ano que vem, o que dá uma média mensal de 1 mil carros. A Chery ainda vai lançar uma versão flex do Face, prevista chegar por aqui até a metade do ano que vem.

Upgrade de segmento?

Altinho e estreito, o Chery Face mais parece um monovolume compacto, no que se aproxima visualmente de modelos como o Chevrolet Meriva e o Fiat Idea. Mas em dimensões, o Face fica enquadrado mesmo no segmento de hatches de entrada: são 3,70 metros de comprimento, 1,57 m de largura, 1,56 m de altura e apenas 2,39 m de entre-eixos.

Durante a coletiva de apresentação do produto, o CEO da Chery no Brasil, Luiz F. Cury, afirmou que os dois principais concorrentes do Face eram o Renault Sandero e Volkswagen Fox. Após "equipar" no site das marcas estes modelos com um nível de equipamento semelhante ao do Face, o executivo apresentou a conclusão de que estes custavam até R$ 15 mil a mais - a versão do Sandero era a top Privilège 1.6, a única que podia receber duplo airbag e ABS, enquanto o Fox foi o 1.0, que conta com opcionais livres.

Ainda que a imagem de compacto altinho dê alguma licença poética na hora de definir os concorrentes, ambos nacionais são bem maiores e refinados do que o neófito. O Fox possui 3,82 m de comprimento, 1.64 m de largura, 1,54 m de altura e 2,46 m de entre-eixos. O Sandero, famoso pelo seu porte avantajado, entrega 4,02 m de uma ponta a outra, 1,74 m de largura, 1,52 m de altura e 2,59 m de entre-eixos, números que o deixam em vantagem em quase todos os aspectos, menos em altura, 4 cm maior no espigado oriental.

Confira a galeria de fotos do Cherry Face 1.3!

Mais próximo em termos de tamanho e equipamentos é o Kia Picanto, com 3,52 m, 1,59 m, 1,48 m e 2,37 m, respectivamente. O sul-coreano traz ar-condicionado com visor digital, direção elétrica, rádio CD/MP3 com entradas auxiliares e duplo airbag - só fica devendo os freios ABS e os sensores de estacionamento (item barato, fácil de se encontrar no pós-venda). O Picanto possui motor 1.0 12V de 64 cv a 5.600 rpm e 8,9 kgfm de torque a 3 mil rotações, que empurra bem os contidos 890 kg do carrinho. A garantia é de cinco anos, contra três do chinês. Com câmbio manual (o automático de quatro é opcional), o hatch recém-retocado parte de promocionais R$ 32.900, um preço que entre em rota de colisão com o Face.

Uma volta ao redor do carro

As linhas foram encomendadas ao Studio Bertone, que ficou famoso por criações como o Lamborghini Miura, Ferrari 250 Lusso ou, para ficar mais próximo da realidade brasileira, os Citroën ZX e Xantia - atualmente o grupo está nas mãos da Fiat. Contratar um estúdio de design italiano se tornou um dos chamarizes prediletos na cartilha dos fabricantes chineses. O Effa M100, por exemplo, teve a sua carroceria desenhada pelo estúdio Pininfarina, que também assina o médio Chery Cielo.

Na prática, o desenho do Face é consensual, sem detalhes arrebatadores. A frente com faróis espichados se liga quase que em um ângulo único ao para-brisas. O perfil é desprovido de adornos, com exceção do discreto vinco longo abaixo da linha de cintura, em um arranjo de colunas traseiras espessas que caracteriza os pequenos hatchs chineses. As rodas são de liga leve aro 14 com pneus 175/60 Champiro, marca chinesa que tem dificuldades de reposição no Brasil, da qual já falamos aqui no Vrum. A traseira é bem verticalizada, com lanternas "cristais" com elementos vermelhos, que ladeiam a tampa do porta-malas, grande e sem vincos na chapa.

Ao se dar uma volta de inspeção ao redor do carro, vemos que algumas peças, como o capô, estão desalinhadas, com vãos diferentes de cada lado. Os para-lamas traseiros não contam com nenhuma proteção, além de deixar a mostra todo o esquema de suspensão traseira e arestas na chaparia, uma desibinição pouco sedutora.

Por dentro, o painel é simétrico, o que facilita a adaptação do volante e quadro de instrumentos para qualquer mão e torna a exportação para outros mercados (o objetivo da Chery) menos complicada. O quadro de intrumentos é dividido em três copos, com iluminação azul ajustável em intensidade. A profusão de plástico metalizado e o desenho estilizado das maçanetas são toques que valorizam a cabine aos olhos do público, acostumado a ver um interminável mar de plástico nos compactos de acesso nacionais. Há pontos positivos, como as linguetas para a abertura do tanque e do porta-malas, localizadas junto ao banco do motorista, além de alças de apoio que retornam suavemente quando largadas.

A carroceria foi assinada pelo estúdio italiano Bertone, mas não inova em termos de estilo
A carroceria foi assinada pelo estúdio italiano Bertone, mas não inova em termos de estilo


Uma padronagem em tecido amarelo e preto reveste bancos, sendo que o tom mais claro também está presente nas portas e, até mesmo, nas colunas centrais (B), tudo ao gosto do público oriental, que tem predileção pelos tons claros, mas que inspirará cuidados no dia a dia para não deixar aquele encardimento. O tecido também não está bem ajustado e fica mal ajambrado nos bancos, como se fosse de um número maior, sobrando nas pontas. Para compensar, está disponível na rede de concessionárias (que deve chegar a 70 até o final do ano) revestimento em couro.

No geral, o acabamento apresenta outras falhas de montagem e pontos mal cuidados. Como os pinos de rebatimento do banco traseiro, que deixam a sua mão afundar pela espuma de baixa densidade. O freio de mão é plano e lembra ligeiramente a alavanca do Renault Mégane, mas sem um acionamento prático. Os porta-objetos se resumem a um prático compartimento com tampa na parte superior do painel e aos nichos nas portas - rasos - e aos bolsões para revistas.

As entranhas

O motor é feito pela Acteco, fabricante de motores do grupo. Trata-se de um quatro cilindros 1.3 16V movido exclusivamente a gasolina, capaz de entregar 84 cv de potência a 5.750 giros e 11,4 kgfm de torque entre 3.500 e 4.500 rotações. Tudo administrado por um câmbio manual de cinco marchas. Com 1.040 kg de peso em ordem de marcha, o Face não promete arroubos esportivos.

Os freios são a disco na dianteira e tambor na traseira, com freios ABS e EBD. A suspensão não traz surpresas e exibe um esquema McPherson na dianteira e eixo rígido com braços arrastados na traseira - solução incomum entre compactos -, com barras estabilizadoras em ambos os eixos. Para atrair consumidores, a marca acena com revisões com preços fixos até os 30 mil km, mas é de se estranhar a primeira revisão a 2.500 km, algo incomum nos dias atuais - ainda que seja gratuita. Saiba como foi o primeiro contato com o Chery Face no link logo abaixo.

Leia a segunda parte da matéria, com a avaliação dinâmica do Chery Face.


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