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Estado de Minas FIAT BRAVO ABSOLUTE 1.8 DUALOGIC

Conquista pelo visual

Segmento dos hatches médios ganha concorrente de peso, que traz como atributos o belo desenho e acabamento de qualidade. Mas espaço interno e câmbio são os pecados capitais


postado em 26/01/2011 20:23 / atualizado em 26/01/2011 21:04

(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A PRESS)
(foto: Fotos: Marlos Ney Vidal/EM/D.A PRESS)
A Fiat volta suas forças no segmento dos hatches médios no Brasil com o belo Bravo, que já circula pela Europa desde 2007. O modelo impressiona mais pelo visual, já que seu espaço interno não é o principal atrativo e o conjunto mecânico deixa a desejar pelo comportamento confuso do câmbio automatizado Dualogic. Mas é um carro com acabamento de qualidade e com estilo imponente, que chega para ocupar o lugar do Stilo, enfrentando concorrência indigesta.

ESTILO O Bravo feito na fábrica de Betim tem exatamente as mesmas linhas do modelo europeu, com a frente pontuda, grade cromada quadriculada e entradas de ar inferiores. Os faróis alongados têm duplo refletor e os auxiliares de neblina estão embutidos em molduras pretas nas extremidades do para-choque, fazendo parte do sistema Cornering, que os aciona quando o motorista faz uma curva mais fechada, intensificando a iluminação naquele lado. As laterais do Bravo são limpas, com maçanetas cromadas, e a linha de cintura elevada reforça a robustez e esportividade. O para-brisa tem forte inclinação e o teto arqueado combina com as formas arredondadas.

 

O Vrum também dirigiu O Bravo nas versões Essence, Absolute e T-Jet no lançamento, no final do ano passado. Clique aqui e assista.

 

Entretanto, a área envidraçada é reduzida e as largas colunas traseiras prejudicam a visibilidade. Aliás, este é um ponto fraco do modelo, que tem retrovisores externos de bom tamanho e sensores de estacionamento na frente (opcional) e atrás, uma ajuda providencial ao motorista em situações de manobras. A traseira larga tem lanternas ovaladas e o detalhe interessante da abertura do porta-malas no logo da marca. Com as rodas de liga leve aro 17 polegadas, com pneus de perfil baixo, o Bravo agrada por ter um desenho equilibrado, sugerindo esportividade, que fica apenas no visual.

APERTADO Se comparado com seu antecessor Stilo, o novo hatch médio da marca italiana peca no espaço interno. Ambos têm a mesma distância entre-eixos – 2,60m –, porém o falecido hatch tem interior mais espaçoso, certamente devido às suas linhas retas. São nove centímetros de diferença entre as medidas de conforto (distância entre o pedal do freio e o encosto do banco traseiro) dos dois modelos: Stilo 2,01m e Bravo 1,92m. Na prática, o novo hatch tem espaço acanhado para um carro médio, principalmente no banco traseiro, onde pessoas um pouco maiores sofrem para acomodar as pernas. Mas os passageiros de trás contam com cintos de segurança retráteis de três pontos e apoios de cabeça ajustáveis. Já o porta-malas do Bravo tem volume razoável, o maior do segmento.

Apesar do espaço limitado atrás, há segurança básica para todos
Apesar do espaço limitado atrás, há segurança básica para todos


CONFORTO Apesar do aperto, motorista e passageiro da frente vão bem acomodados em largos e confortáveis bancos revestidos em couro. O modelo tem de série ajuste de altura para o banco do motorista e volante, que tem boa pega e conta ainda com regulagem de distância e comandos para o som. O acabamento interno demonstra mais cuidado na montagem, com materiais de qualidade agradáveis ao toque. O painel foi bem desenhado, com revestimento que imita fibra de carbono. Os instrumentos de fundo preto e iluminação alaranjada são de fácil visualização e entre eles um visor digital com computador de bordo fornece todas as informações necessárias. No meio do painel, uma tela digital dá acesso ao som e sistema de navegação GPS. Os comandos são bem localizados, exceto os de regulagem de altura dos faróis, que foram parar do lado direito do painel. 

DESEMPENHO O modelo testado é equipado com motor 1.8 16V e câmbio automatizado de cinco marchas. O propulsor até que faz a sua parte, disponibilizando torque e potência razoáveis, garantindo desempenho satisfatório. Mas está longe de proporcionar uma performance esportiva, como sugere o visual do hatch, e tem funcionamento áspero em rotações mais elevadas. O câmbio Dualogic acaba comprometendo o desempenho, pois, em determinados momentos, parece ter vontade própria, reduzindo marchas bruscamente ou soltando o motor, fazendo-o perder força. O motorista tem que dosar o pé no acelerador para controlar as mudanças do câmbio, que ainda são feitas com desconfortáveis trancos. O sistema conta com tecla S (esportivo) e aletas no volante para troca de marcha.

DIRIGINDO Na prática, fica parecendo que o motor 1.8 é pouco para o Bravo, pois sua performance não entusiasma. Em determinadas situações ele demora um pouco para pensar. Talvez com o câmbio manual os resultados sejam melhores. Quanto ao consumo, o computador de bordo registrou na cidade média de 6km/l (etanol) e 9km/l (gasolina). Na estrada, 8km/l (e) e 12km/l (g). Apesar dos poréns, o Bravo tem comportamento equilibrado. A direção com assistência elétrica foi bem calibrada e ainda conta com dispositivo (Dualdrive) que a deixa mais leve, para situações de manobras. Porém, deveria ser mais firme em velocidades elevadas. As suspensões garantem boa estabilidade em curvas, mas, aliadas aos pneus de perfil baixo, transferem as imperfeições do solo para dentro. O modelo tem uma ampla lista de equipamentos, que inclui sensor de pressão dos pneus, sinalizador de mudança de faixa, controles eletrônicos de estabilidade e tração e freios ABS, que garantem dirigibilidade segura.

 

O sucessor tem estilo

Ergonomia é um dos destaques do Fiat Bravo com muito mais virtudes do que problemas. Saiba também como o modelo se comportou nos testes e o dilema do câmbio automatizado

 

Veja a galeria completa de fotos do Fiat Bravo Absolute Dualogic!

 

AVALIAÇÃO TÉCNICA

 

Acabamento da carroceria
A pintura contém pontos com impurezas e imperfeições, apesar de ter a tonalidade da tinta homogênea entre as partes plásticas e de aço. As quatro portas têm pontos com desnivelamento entre si e a carroceria, além de folgas fixas diferentes entre os dois lados. A tampa traseira está descentralizada em relação às lanternas, colunas C (traseiras) e para-choque. O capô tem montagem razoável e as portas não têm friso protetor. NEGATIVO



Vão do motor

O capô tem bom ângulo de abertura e é sustentado por amortecedores. O acesso à manutenção é razoável e a sistematização dos vários componentes está benfeita, deixando um aspecto organizado e limpo. As mangueiras, chicotes e tubulações estão muito bem protegidas contra interferência estática e dinâmica. Os itens de verificação constante têm fácil identificação e manuseio. O resultado da insonorização do vão em relação ao habitáculo é aceitável. POSITIVO

Altura do solo

Numa condução normal, cautelosa, quando sobre piso irregular usual, não ocorreram interferências significativas com o solo. O defletor instalado na base inferior do para-choque dianteiro toca o solo em saídas de garagem com desnível. Por prevenção, tem chapa em aço que engloba toda a zona inferior do motopropulsor e parte da suspensão dianteira. REGULAR

Climatização

É automático digital. São 11 as opções de velocidade da caixa de ar e três as de direcionamento do fluxo de ar (pés, para-brisa e zona do peito condutor/passageiro). No display há a informação da temperatura externa ambiente. Ao selecionar a vazão de ar somente para a zona do peito do condutor e passageiro, o fluxo de ar é satisfatório nos quatro difusores do painel (há mais um no console central para os passageiros de trás). Porém, ao programar para a zona dos pés em conjunto, a velocidade do ar que sai pelos difusores do painel se torna muito fraca, mesmo na velocidade máxima, fato que não ocorre quando selecionado para a base do para-brisa. Além disso, a rumorosidade de funcionamento é agravada no lado esquerdo do painel ao programar com somente recírculo interno de ar, de fácil percepção auditiva. REGULAR

Freios

Apresentaram bom comportamento dinâmico no uso em geral. O pedal de freio tem boa sensibilidade e relação. O ABS atuou com eficiência e tem boa resposta. Depois de uso severo, com frenagens fortes sequenciais antes de curvas em longa descida sinuosa, com o veículo em velocidade, a resistência térmica foi satisfatória. A desaceleração é muito boa, sem afundamento exagerado do eixo dianteiro e com boa manutenção da trajetória imposta. O freio de estacionamento atuou normalmente. POSITIVO

Câmbio

O ganho no comportamento dinâmico na utilização deste tipo de câmbio, que não tem pedal de embreagem, é somente em conforto para o condutor em relação ao manual tradicional. Mesmo com software atualizado, ocorrem várias incertezas, falta de rapidez nas trocas e excesso de reduções à menor pressão do acelerador numa topografia como a de Belo Horizonte. O pomo da alavanca tem o seu acabamento pobre e simplório em relação ao do painel, volante e console central. As relações de marchas/diferencial atendem razoavelmente a proposta da dinâmica desta versão, mas teria ganhos significativos em dirigibilidade com um câmbio manual convencional, com um escalonamento mais próximo das marchas (que poderiam ser seis com um novo diferencial), para minimizar o peso do veículo (1.355kg) e a do cabeçote multiválvulas, que tem torque máximo em alta rotação (4.500rpm), pouco usual numa condução normal e dentro da lei. REGULAR

Motor

Sua performance é normal, mas sem brilho para a cilindrada e arquitetura do cabeçote. Os valores de potência e torque máximos gerados nas suas respectivas faixas de rotação são satisfatórios, mas, na prática, para empurrar a massa do veículo e estar acoplado a este câmbio automatizado, não tem o rendimento esperado. O motor é um projeto novo, com soluções de engenharia muito práticas. O seu funcionamento é silencioso para um 16V e tem boa elasticidade. POSITIVO

Vedação

Boa contra água e poeira. POSITIVO

Nível interno de ruídos

Ao trafegar sobre pisos irregulares surgem vários ruídos no habitáculo. O efeito aerodinâmico é razoável até 110km/h, sendo crescente e de fácil percepção auditiva, principalmente pelas portas traseiras. NEGATIVO

Suspensão

A estabilidade é boa pela precisão com que contorna curvas de raios variados (asfalto liso/seco), estando o veículo em alta velocidade, situação na qual a inclinação da carroceria é moderada. O conforto de marcha é apenas aceitável e os pneus da série 45 contribuem para transferir as imperfeições do solo para dentro. REGULAR

Direção

Os pneus homologados na medida (215/45 R17 91V Goodyear) para esta versão com motor 1.8 de 132cv (álcool) têm mais sentido estético do que técnico funcional. O diâmetro de giro com 10,7 metros é aceitável, favorecido pelo conforto/leveza da assistência elétrica no modo City. A velocidade do efeito/retorno é boa. Apresentou boa precisão na reta e em curvas, com reações moderadas, seguras e ótima rapidez de resposta. O volante tem boa pega e a coluna de direção tem ajuste manual em altura e distância. Os pneus que equipam o veículo são extremamente vulneráveis a buracos, muito comuns em ruas e rodovias, além de ter altíssimo custo de reposição. POSITIVO


Iluminação

Tem luz de cortesia nos para-sóis, porta-malas e porta-luvas. Na zona do teto há dupla lanterna/spots fixos em plafonier junto ao retrovisor e duas lanternas nas laterais traseiras, com resultado positivo em iluminação. O sistema tem regulagem elétrica em altura em função da carga transportada, mas as teclas de ajuste estão mal posicionadas. O grupo óptico dianteiro tem construção com duplo refletor e conta com auxílio de faróis de neblina embutidos no para-choque. Apresentaram eficiência no baixo e no alto, com boa qualidade em abertura, alcance e claridade. POSITIVO

Limpador de para-brisa
A qualidade das palhetas (dianteiras e traseira) é boa, varrem uma ótima área no para-brisa/vidro traseiro e a vazão dos esguichos satisfaz. O sistema tem sensor de chuva e é fácil o acesso ao reservatório de água instalado no vão do motor. POSITIVO

Estepe/macaco

O estepe está instalado no assoalho, dentro do porta-malas. A roda é em aço e o pneu diferente dos de uso em medidas e fabricante (205/55 R16 91V Pirelli), com indicação de pneu temporário e velocidade máxima de 80km/h. O kit de troca está abaixo do aro, em base plástica. Há porca autoadaptadora antifurto e é necessário retirar a calota central para ter acesso aos parafusos de roda. A operação de troca é normal, mas essa solução de pneu reserva diferente dos de uso não é prática e funcional no Brasil, principalmente em viagens mais longas, pela alteração do handling, apesar de ter o mesmo índice de velocidade e de carga dos de uso. REGULAR

Ferramentas

Tem uma chave de fenda combinada com Philips. POSITIVO

Alarme

O sistema é completo, com chave de ignição do tipo canivete codificada, proteção volumétrica dentro do habitáculo e perimétrica das partes móveis. A função antiesmagamento dos vidros atuou com precisão. POSITIVO

Volume do porta-malas

O declarado é de 400 litros e o encontrado 360 litros, com a tampa do bagagito fechada, triângulo de segurança dentro do porta-malas e prejudicada pela caixa de som subwoofer instalada.

Avaliações do engenheiro Daniel Ribeiro Filho, da Tecnodan

 

FICHA TÉCNICA
MOTOR

Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, gasolina/etanol, 1.747cm³ de cilindrada, que desenvolve 130cv (g)/132cv (e) de potência a 5.250rpm e torques máximos de 18,4kgfm (g)/ 18,9kgfm (e) a 4.500rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio automatizado Dualogic de cinco marchas

DIREÇÃO

Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS

Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, McPherson, com braços oscilantes fixados ao subchassi e barra estabilizadora; traseira, semi-independente, com travessa de torção de seção aberta e barra estabilizadora/roda de liga-leve/7,0 x 17 polegadas/215/45 R17

CAPACIDADES

Tanque, 58 litros; carga útil (passageiros e bagagem), 400 quilos; peso, 1.360kg


EQUIPAMENTOS
DE SÉRIE
Conforto/conveniência
- Apoia-braço central no banco do motorista (com vão refrigerado) e no banco traseiro, ar-condicionado automático Dual Temp, banco traseiro bipartido, banco do motorista com regulagem de altura, Blue&Me, chave com telecomando, destravamento elétrico da tampa do tanque de combustível, direção elétrica Dual Drive, temporizador de faróis com chave desligada (Follow me home), ganchos para fixação de carga no porta-malas, My Car Fiat, para-sóis com espelho e iluminação, controlador de velocidade (piloto automático), porta-luvas e porta-malas iluminados, rádio CD/Player/MP3, retrovisores externos elétricos, sensor de estacionamento traseiro, travas elétricas nas portas, vidros dianteiros e traseiros elétricos com one touch, volante revestido em couro com comandos do rádio e regulagem de altura e distância.

Aparência - Guarnições abaixo dos vidros e maçanetas cromadas, rodas de liga leve aro 17 polegadas.

Pneus de perfil baixo estão na moda, mas sacrificam conforto em piso irregular
Pneus de perfil baixo estão na moda, mas sacrificam conforto em piso irregular


Segurança - Freios ABS, air bag duplo, cintos de segurança dianteiros com pré-tensionador, faróis de neblina com sistema Cornering, Fiat Code, gancho universal para cadeiras de crianças no banco traseiro (Isofix), safe lock, sinalizador de mudança de faixa, vidros dianteiros e traseiros com antiesmagamento.

OPCIONAIS
Bancos revestidos parcialmente em couro, Blue&Me NAV, kit parafusos antifurto, airbag para o joelho (Kneebag), rádio NAV, retrovisores externos rebatíveis, retrovisor interno eletrocrômico, sensores de chuva, crepuscular e de estacionamento dianteiro, airbags laterais dianteiros e de cortina, som Hi-Fi com subwoofer e teto solar elétrico Skydome.


QUANTO CUSTA
O Fiat Bravo é vendido na versão de entrada Essence 1.8 16V por R$ 55.480. Já a versão Absolute 1.8 16V tem preço inicial de R$ 62.560. A versão testada, Absolute 1.8 Dualogic, tem preços que vão de R$ 65.530 a R$ 80.570, com todos os opcionais.

Linha de cintura ascendente limita visibilidade lateral traseira, mas detector de obstáculo ajuda
Linha de cintura ascendente limita visibilidade lateral traseira, mas detector de obstáculo ajuda


NOTAS (0 A 10)
Desempenho 7
Espaço interno 7
Porta-malas 8
Suspensão/direção 7
Conforto/ergonomia 8
Itens de série/opcionais 9
Segurança 9
Estilo 9
Consumo 7
Tecnologia 8
Acabamento 9
Custo/benefício 8

 

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