JAC J3 Turin 1.4 - É bom, mas nem tanto

Sedã chinês tem estilo agradável, interessante pacote de itens de série e espaço interno suficiente para a família. Porém, câmbio não é preciso e freio exige atenção

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postado em 13/04/2011 17:01 / atualizado em 27/05/2011 13:10 Enio Greco /Estado de Minas
Estilo harmonioso do sedã chinês foi definido em estúdio de design em Turim, na Itália - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Estilo harmonioso do sedã chinês foi definido em estúdio de design em Turim, na Itália

A JAC Motors quer marcar presença no mercado brasileiro e, para isso, joga pesado com seus modelos hatch e sedã, comercializados com ampla lista de equipamentos e a surpreendente garantia de seis anos. Testamos o J3 Turin, um três volumes com desenho simpático, bom espaço interno e um motor a gasolina que pode ser chamado de eficiente. Mas nem tudo são flores neste produto chinês, já que os engates do câmbio não são precisos e o pedal de freio é esponjoso.

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Quando se fala de produto chinês no Brasil a reação imediata da maioria das pessoas é de desconfiança. Os orientais criaram fama por fabricarem cópias malfeitas de produtos diversos e os carros que produzem não escapam desta crítica. Mas a JAC Motors chega ao mercado brasileiro representada pelo experiente e astuto Sérgio Habib, presidente do grupo SHC, que, em passado recente, levantou a bola da Citroën por aqui. Ele quer mudar a imagem do produto chinês pegando o consumidor pelo bolso: comercializa um modelo com um interessante pacote de itens de série, garantia de seis anos e preço que desbanca a concorrência. Mas e a segurança desses carros foi testada? E as peças de reposição, já existe estoque suficiente para suprir as necessidades? Com 50 concessionárias no Brasil, Habib garante que não haverá problemas. É esperar para ver.

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ESTILO

Deixando momentaneamente as desconfianças de lado, o JAC J3 Turin chega até a impressionar. A começar pelo visual, com formas agradáveis e modernas. Mas também os caras foram espertos e criaram um Centro de Estilo em Turim. Ou seja, foram beber água em uma das melhores fontes de design do mundo. O desenho italiano do sedã compacto é marcado por linhas suaves, com faróis invadindo os para-lamas e discreta grade com uma barra larga de plástico e o símbolo da marca, que lembra – e muito – a logo da Chrysler. É a maldita mania de copiar. Vincos marcam o capô e o para-choque e as laterais são limpas, porém com estranhas saliências emoldurando as caixas de rodas. A traseira é robusta, com grandes lanternas em formato triangular. No geral, o conjunto é equilibrado e agradável aos olhos.

Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press


EQUIPADO

Compondo ainda o visual, o modelo chinês conta com belas rodas de liga leve, que são item de série. O pacote de equipamentos inclui, ainda, o providencial sensor de estacionamento, já que a visibilidade traseira é ruim. Tem também direção hidráulica, ajuste de altura do volante e do facho do farol, abertura interna do porta-malas e outras coisas. Tudo de série. Mas o modelo tem uma falha impressionante: para destravar as portas é preciso tirar a chave da ignição ou levantar o pino que fica no alto do painel da própria porta. Além disso, não tem computador de bordo, item facilmente encontrado em modelos 1.0 da concorrência.

ESPAÇOSO

O J3 Turin tem espaço interno bom, inclusive atrás, onde o túnel central do assoalho é baixo, ou seja, não rouba espaço para as pernas de quem senta no meio. O porém é o banco traseiro baixo e com o assento curto, que não apoia bem as pernas. Falta ali ainda o apoio de cabeça central e o cinto de segurança do meio é abdominal. Na frente, o espaço é generoso, mas os bancos não são confortáveis e não contam com ajuste de altura. São revestidos com tecido tipo veludo, que esquenta muito e retém poeira e sujeira. O modelo tem airbag duplo de série, mas os cintos de segurança dianteiros não contam com ajuste de altura.

POR DENTRO

O painel principal tem os comandos um pouco distantes do motorista, dificultando o acesso. Os instrumentos, com fundo preto e luzes azul e vermelha, são concentrados em um só elemento, com conta-giros sobrepondo o velocímetro. Inicialmente parece confuso, mas depois se acostuma. O marcador de combustível tem ponteiro que faz o percurso inverso dos tradicionais, indo da esquerda para a direita. Pode confundir. Quanto ao acabamento, o painel tem quatro saídas de ar circulares, com detalhes cromados. Plástico de qualidade inferior – duro, áspero e com cheiro forte – predomina no interior do carro, com encaixes malfeitos e folgas entre as peças. O volante de quatro raios tem boa pega, mas poderia ter o aro um pouco mais grosso. Os comandos dos vidros elétricos estão mal localizados nos painéis das portas, pois ficam recuados.

Estepe de emergência fica no porta-malas e tem uso limitado - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Estepe de emergência fica no porta-malas e tem uso limitado


DESEMPENHO

Um dos pontos positivos do sedã chinês é sem dúvida o seu motor. Moderno e econômico, o 1.4 a gasolina mostra-se mais eficiente depois das 2.500rpm. Antes disso, é um pouco lerdo e costuma deixar o motorista nervoso, já que costuma apagar. Mas com o giro mais alto fica esperto e proporciona bom desempenho, com retomadas de velocidade satisfatórias. O câmbio tem relações de marchas bem escalonadas, mas é um tanto quanto esponjoso, ou seja, os engates não são precisos e é comum arranhar nas trocas. O carro anda bem quando está mais leve, mas com cinco ocupantes e ar-condicionado ligado a performance fica comprometida.

CUIDADOS

A direção bem calibrada e com bom diâmetro de giro favorece a dirigibilidade, facilitando nas situações de manobra e garantindo segurança em velocidades mais altas. Já as suspensões transferem um pouco as irregularidades do solo para dentro, causando certo desconforto principalmente para quem vai no banco traseiro. O modelo apresenta uma certa instabilidade direcional quando em velocidades mais elevadas, obrigando o motorista a ficar mais atento. Outro item que exige atenção é o sistema de freio. A começar pelo pedal, muito esponjoso, exigindo maior pressão, e o ABS acompanhado de EBD, que não demonstraram a eficiência esperada.

NA BALANÇA

Na verdade, o carro chinês ainda é uma incógnita, pois pouco se sabe sobre sua qualidade de construção, durabilidade de seus componentes e seu comportamento em casos de acidentes. É uma tentação para quem quer conteúdo sem gastar muito. Mas muita cautela nessa hora. O certo é que os chineses já são uma realidade e têm tudo para evoluir e conquistar uma fatia do bolo.

Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press

FICHA TÉCNICA
MOTOR

Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.332cm³ de cilindrada, 16 válvulas, comando de válvulas variável, que desenvolve 108cv de potência a 6.000rpm e 14,08kgfm de torque a 4.500rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora; e traseira, independente, tipo Dual Link / rodas de liga leve de 15 polegadas / 185/60 R15

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS
A discos ventilados na dianteira e tambores com sapatas autoajustáveis na traseira, com ABS e EBD

CAPACIDADES
Tanque, 48 litros; de carga (passageiros e bagagem), 440 quilos.

EQUIPAMENTOS
DE SÉRIE
Conforto/conveniência
- Vidros, retrovisores e travas com acionamento elétrico, faróis com regulagem elétrica de altura, para-sol com espelho de cortesia, porta-revistas no costado dos bancos dianteiros, banco traseiro bipartido, chave com destravamento remoto das portas, sensor de estacionamento traseiro, porta-copos, antena impressa no para-brisa, coluna de direção com regulagem de altura, direção hidráulica, ar-condicionado, CD Player com entrada USB e seis alto-falantes e abertura interna do bocal do tanque de combustível.


Segurança - Faróis e lanternas de neblina, terceira luz de freio, protetor de cárter, airbag frontal duplo, alarme anti-furto, travamento automático das portas a 15km/h, freios ABS com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem),

Aparência - Iluminação azul do painel de instrumentos e rodas em liga leve de 15 polegadas.

OPCIONAL
Pintura metálica.

NOTAS (0 A 10)

Desempenho 7
Espaço interno 8
Porta-malas 8
Suspensão/direção 7
Conforto/ergonomia 7
Itens de série/opcionais 8
Segurança 7
Estilo 8
Consumo 8
Tecnologia 7
Acabamento 6
Custo/benefício 8

QUANTO CUSTA
O sedã JAC J3 Turin tem preço inicial de R$ 39.900 e com pintura metálica (único opcional) R$ 40.800. Já o JAC J3 (hatch) tem preços sugeridos de R$ 37.900 e de R$ 38.800 (com pintura metálica).

Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press

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