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Estado de Minas

Renault Duster 1.6 16V Dynamique - Opção pelo mais simples

Com tração dianteira e motor menos potente, o jipinho da marca francesa tem desempenho acanhado em relação à versão topo de linha, mas não decepciona. Espaço interno é bom


postado em 21/01/2012 15:27 / atualizado em 21/01/2012 15:29

Robustez é um dos pontos fortes do modelo Renault, que tem para-lamas salientes e grade cromada(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Robustez é um dos pontos fortes do modelo Renault, que tem para-lamas salientes e grade cromada (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

A distância que separa o Renault Duster 2.0 4x4 da versão 1.6 4x2 é significativa, mas não a ponto de condenar a segunda opção. Aqueles que não têm pretensões de colocar o carro na lama, mas que querem um jipinho urbano, mais alto e espaçoso, podem ver o Duster 1.6 16V como uma boa escolha. O desenho do modelo divide opiniões e o motor não chega a proporcionar desempenho empolgante, mas dá conta do recado. O câmbio é barulhento e a direção trepida quando se vira o volante até o fim do curso, porém as suspensões garantem equilíbrio entre conforto e estabilidade. Confira os detalhes do teste.

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Seguindo a linha da família Logan, a Renault aposta suas fichas no Duster, um utilitário-esportivo compacto que tem presença de carro médio. Com acabamento simples e forte apelo no espaço interno, o modelo chama a atenção por suas linhas robustas, além de agradar pelo conjunto mecânico. A versão 1.6 16V, com tração dianteira, apresenta desempenho satisfatório, sem brilho, mas suficiente para as tarefas do dia a dia na cidade. Por ser mais alto, se sai bem também em estradas de terra irregulares, porém sem abusos.

ESTILO
Se comparado à versão 2.0 4x4, o Duster 1.6 16V Dynamique tem visual mais discreto, sem os adereços do aventureiro. A frente preserva a robustez natural do modelo, com faróis de linhas retas e duplo refletor, grade de barras cromadas e moldura discreta envolvendo a entrada de ar na parte inferior do para-choque. Retrovisores cromados e barras no teto quebram um pouco o aspecto espartano da versão. As laterais são limpas, com para-lamas salientes e beiral das portas com barra cromada. A traseira também tem detalhes cromados e pequenas lanternas verticais. Na versão Dynamique, as rodas de liga leve aro 16 polegadas são de série.

Lanternas verticais ajudam a compor visual equilibrado na traseira(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Lanternas verticais ajudam a compor visual equilibrado na traseira (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


ESPAÇO Um dos principais atrativos do Renault Duster é sem dúvida o espaço interno. A começar pelo porta-malas, que é bem grande. Para o motorista e passageiros também há espaço de sobra, já que o utilitário é bem largo. O problema é que os bancos não são muito confortáveis e apenas o do motorista tem ajuste manual de altura. O banco traseiro também é espaçoso e apoia bem as pernas, porém o encosto não proporciona o melhor posicionamento, causando desconforto. Ali os passageiros contam com três apoios de cabeça, mas o cinto de segurança central é abdominal.

ACABAMENTO No quesito acabamento, o Duster segue a mesma política da família Logan, com o uso de materiais mais simples. O plástico do painel é razoável, assim como a montagem dos componentes. O couro que reveste os bancos, que é opcional, melhora um pouco o ambiente. O painel tem instrumentos com fundo preto e números na cor laranja. Os comandos estão bem localizados, exceto o do ajuste elétrico dos retrovisores externos, que fica sob a alavanca do freio de estacionamento.

DESEMPENHO Para um veículo com mais de 1.200 quilos, o motor 1.6 16V pode parecer pouco. Realmente, não é a melhor opção, mas também não decepciona. Com funcionamento áspero em rotações mais elevadas, o motor dá conta do recado, porém sem brilho. Com apenas o motorista e um passageiro, o Duster anda bem na cidade e na estrada, porém sem empolgar muito nas arrancadas e retomadas de velocidade. Carregado e com ar-condicionado ligado, o desempenho cai bem. Nessa condição é preciso fazer muitas trocas de marcha para melhor aproveitamento da força do motor. O câmbio tem bons engates e boa relação de marchas, mas é barulhento. O computador de bordo acusou consumo médio de 8,9km/l na cidade e 13,5km/l na estrada com gasolina. Já com etanol os números ficaram em 6km/l e 10km/l, respectivamente.

Interior tem acabamento razoável e pega do volante não é boa(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Interior tem acabamento razoável e pega do volante não é boa (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


VERSÁTIL Apesar de não ter o apelo aventureiro, o Duster 1.6 passa bem por estradas de terra sem tranqueiras. Tem boa altura do solo e bons ângulos de entrada e saída, superando com certa facilidade pisos irregulares. A posição de dirigir é elevada e o volante tem ajuste de altura, porém o aro é fino. A direção foi bem calibrada e tem diâmetro de giro razoável, mas ao ser levada até o fim do curso provoca estranha vibração, mesmo problema detectado na versão 2.0 4x4. As suspensões também foram bem calibradas, proporcionando bom equilíbrio entre conforto e estabilidade, com discreta inclinação da carroceria em curvas mais fechadas. Nesta versão o sistema de freios tem ABS de série e atuou de forma eficiente.

AVALIAÇÃO TÉCNICA
ACABAMENTO DA CARROCERIA

A pintura tem acabamento razoável. Os frisos emborrachados que encobrem a união do teto com as laterais não têm continuidade a partir da porta traseira, assim como a chapa inferior da base do para-brisa, que não tem acabamento plástico superior. As quatro portas têm pontos com desnivelamento entre si e a carroceria. A tampa traseira esta descentralizada, mas o capô tem montagem satisfatória. REGULAR

VÃO DO MOTOR

O motor e os componentes laterais preenchem bem o vão, limitando o acesso à manutenção de vários itens. O resultado da insonorização é razoável em relação ao habitáculo. REGULAR

Barras no teto conferem ao Duster um discreto ar de esportividade(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Barras no teto conferem ao Duster um discreto ar de esportividade (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


ALTURA DO SOLO

Toda a parte inferior do motopropulsor tem proteção por chapa em aço. Não houve interferências com o solo no percurso misto de provas. POSITIVO

CLIMATIZAÇÃO

Apresentou bom funcionamento. O tempo gasto para dar a sensação de conforto no habitáculo foi razoável. São quatro as velocidades da caixa de ar e cinco as de direcionamento do fluxo. Não tem difusor específico para os passageiros de trás nem regulagem individual de temperatura para condutor e passageiro. A caixa de ar está bem vedada. POSTIVO

FREIOS

Apresentaram bom comportamento dinâmico no uso misto e o ABS tem boa calibração. O freio de estacionamento atuou normal e o pedal de freio tem boa sensibilidade. POSITIVO

CÂMBIO

A embreagem é macia com boa progressividade. As relações de marchas/diferencial proporcionam dirigibilidade razoável no uso misto. A qualidade de engate é boa em precisão, maciez, curso e posicionamento da alavanca. POSITIVO

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MOTOR

A performance é razoável, com aceleração e retomadas de velocidade aceitáveis em função do peso do veículo. As curvas de potência e torque são boas para a cilindrada, proporcionando uma dirigibilidade normal no uso misto. Com ar-condicionado ligado e carga útil de 400kg é ainda aceitável a sua condução, mas deve-se usar bem o câmbio. REGULAR

VEDAÇÃO

Boa contra água e poeira. POSITIVO

NÍVEL INTERNO DE RUÍDOS
Ao trafegar sobre pisos irregulares surgem vários ruídos no habitáculo. O efeito aerodinâmico inicia-se a 100km/h e é crescente com a velocidade. NEGATIVO


SUSPENSÃO

O conforto de marcha tem um acerto satisfatório assim como a estabilidade para o tipo de veículo e proposta de utilização. POSITIVO

DIREÇÃO

A coluna de direção tem ajuste angular em altura, com bom curso. Como ocorreu na versão 2.0, o sistema hidráulico da direção apresenta forte trepidação ao esterçar o volante em várias situações de giro. Aparentemente, parece ter uma restrição na linha de fluido ou a bomba apresenta-se com defeito/mal dimensionada. O diâmetro de giro é razoável e a velocidade do efeito-retorno agrada. NEGATIVO

Banco traseiro tem bom espaço, mas cinto central é abdominal(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Banco traseiro tem bom espaço, mas cinto central é abdominal (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


ILUMINAÇÃO

Não tem sensor crepuscular e há luz de cortesia no porta-luvas e porta-malas. No teto há somente uma lanterna junto ao retrovisor, com a opção de spot fixo para passageiro, sendo ruim o resultado em iluminação. Os faróis têm duplo refletor e auxílio de faróis de neblina com bom resultado em iluminação no baixo/alto. Não tem regulagem elétrica da altura em função da carga transportada. O quadro de instrumentos e console central têm boa leitura/iluminação. Porém, não há iluminação para os interruptores elétricos nos painéis de porta. REGULAR

ESTEPE/MACACO

O estepe tem a roda em aço, mas o pneu é igual aos de uso. Está instalado abaixo do assoalho do porta-malas, do lado de fora, em suporte metálico basculável com acionamento feito por mecanismo dentro do porta-malas. A operação de troca é cansativa e não limpa. NEGATIVO

LIMPADOR DO PARA-BRISA

Não tem sensor de chuva. As áreas varridas no para-brisa e vidro traseiro por palhetas de qualidade satisfazem, assim como a atuação dos esguichos. O reservatório de água instalado dentro do vão do motor tem fácil acesso, mas a tampa poderia ser azul. POSITIVO

ALARME

A chave de ignição é codificada e tem proteção perimétrica das partes móveis. Não tem a volumétrica contra a invasão pela da quebra dos vidros nem a função um toque. Ao dar comando para travar as portas, os vidros não sobem automaticamente. REGULAR

VOLUME DO PORTA-MALAS

O declarado pela fábrica é de 475 litros e o encontrado com a cortina superior esticada e banco traseiro na posição normal
foi 495 litros.

Rodas de liga leve aro 16 polegadas são de série nessa versão(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Rodas de liga leve aro 16 polegadas são de série nessa versão (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


Avaliações do engenheiro Daniel Ribeiro Filho, da Tecnodan

Palavra de especialista
"Sem pedigree"


DANIEL RIBEIRO FILHO
ENGENHEIRO

Em relação ao Duster 2.0 4x4, é outro veículo. A versão testada apresentou comportamento dinâmico inferior em relação ao 2.0. Com o motor 1.6 e caixa com cinco marchas sem opção de tração, a sua dirigibilidade é razoável na cidade e em estradas asfaltadas/terra batida (seca), com poucas subidas. A Renault apresenta neste novo modelo duas opções de pavimento na traseira. A versão 2.0 tem o estepe dentro do porta-malas, mais prático, e na 1.6 fica do lado de fora em suporte basculável, pela diferença de construção da suspensão traseira, que é mais moderna e sofisticada no 2.0. Em relação ao seu concorrente direto, o Ford EcoSport com motor 1.6, a proposta de utilização e dirigibilidade são equivalentes.


FICHA TÉCNICA


MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.598cm³ de cilindrada, que desenvolve 110cv (gasolina)/115cv (etanol) de potências máximas a 5.750rpm e torques máximos de 15,1kgfm (gasolina) e 15,5kgfm(etanol) a 3.750rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, do tipo McPherson, com triângulos inferiores e subchassi; e traseira, semi-independente com barra estabilizadora / 7 x 16 polegadas, em liga leve / 215/65 R16

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS
A disco ventilado na dianteira e tambores na traseira, com ABS

TANQUE DE COMBUSTÍVEL
50 litros 

EQUIPAMENTOS DE SÉRIE
APARÊNCIA – Para-choques e maçanetas externas na cor do veículo, painéis das portas com inserto em tecido, barras longitudinais cromadas no teto, estribos laterais na cor da carroceria e com face superior em alumínio, molduras de saídas de ar cromadas, rodas de liga leve aro 16 polegadas, retrovisores cromados, vidros verdes, volante e manopla do câmbio revestidos em couro.

CONFORTO/CONVENIÊNCIA – Direção hidráulica, ar-condicionado, vidros elétricos, para-sóis com espelho, banco do motorista e volante com regulagem de altura, retrovisores externos com ajuste elétrico, iluminação no porta-luvas e porta-malas, alarme sonoro de advertência de luzes acesas, computador de bordo, travas elétricas nas portas e no porta-malas com comando a distância por radiofrequência, rádio CD Player MP3 com conexão USB/iPod e entrada auxiliar, bluetooth e comando satélite na coluna de direção e bancos traseiro rebatíveis (1/3 e 2/3).
SEGURANÇA – Airbag duplo frontal, freios ABS, trava para crianças nas portas traseiras, faróis de neblina, três apoios de cabeça no banco traseiro reguláveis em altura, travamento automático das portas a 6km/h.

OPCIONAL
Forração em couro e pintura metálica.

O jipinho tem porta-malas digno de uma perua, com volume de sobra(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
O jipinho tem porta-malas digno de uma perua, com volume de sobra (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


NOTAS
Desempenho    7
Espaço interno    8
Porta-malas    9
Suspensão/direção    8
Conforto/ergonomia    7
Itens de série/opcionais    8
Segurança    8
Estilo    7
Consumo    8
Tecnologia    7
Acabamento    6
Custo/benefício    8

QUANTO CUSTA
O Renault Duster Dynamique 1.6 16V 4x2 tem preço sugerido de R$ 57.800 e com o revestimento em couro, R$ 60.490.

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