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Estado de Minas TESTE

EcoSport 2.0 PowerShift - Quase um automático

Para ampliar a linha e enfrentar a acirrada concorrência, a Ford adere ao câmbio automatizado mais sofisticado no Brasil. A opção é conjugada com o motor Duratec 2.0


postado em 12/01/2013 19:44

O EcoSport incorpora linhas criadas pela segunda fase da filosofia de design Kinetic, na qual o famoso
O EcoSport incorpora linhas criadas pela segunda fase da filosofia de design Kinetic, na qual o famoso "bocão", com barras horizontais cromadas, se destaca (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 

 

Com a mudança completa no visual, a nova geração do “jipinho” da Ford ganhou uma roupagem mais moderna para encarar o Renault Duster, que também vem fazendo muito sucesso, mas que não tem linhas tão atuais. Mas, além do estilo “bocão”, o novo EcoSport ainda precisava de opções que agradassem àqueles que gostam de se arriscar em pequenas aventuras no fora de estrada e aqueles que procuram por um pouco mais de conforto, principalmente no conturbado trânsito das grandes cidades. Para tentar conquistar esse público, a Ford lançou recentemente uma versão com tração integral e outra com o câmbio automatizado PowerShift, ambas com motor Flex Duratec 2.0.

BOCÃO
Lançado em 2003, pode-se dizer que o EcoSport foi o primeiro utilitário-esportivo compacto a ter sucesso no Brasil. Mas a concorrência no mercado brasileiro foi ficando cada vez mais acirrada e a marca resolveu então promover uma reformulação geral no “jipinho”, dentro da segunda fase da filosofia de estilo Kinetic (que busca dar movimento ao carro por vários ângulos). O resultado é o famoso “bocão” na frente, com barras horizontais cromadas e grade em forma de colmeia. Os faróis agora são espichados e unidos por uma pequena grade. Para quebrar um pouco o impacto da frente muito alta, os vincos nas laterais do capô se unem à coluna A, formando uma curva suave. De perfil, chama a atenção a linha de cintura elevada, que realça o aspecto esportivo; e na traseira, o destaque fica por conta das lanternas horizontais (no melhor estilo Kia), que embutem a maçaneta da tampa traseira.

POR DENTRO
O acabamento interno (da versão avaliada, a Titanium) mistura as cores preta e cinza (presentes no painel central, painéis de porta, volante, console e alavancas do câmbio e do freio de mão) com detalhes em plástico imitando metal no painel central (onde estão os comandos do sistema de áudio, Bluetooth e do computador de bordo e o botão de trava das portas), na base da alavanca de marchas, volante e molduras dos painel de instrumento e das saídas de ar. O volante tem boa pega e a coluna de direção é regulável em altura e distância. Mas o curso do ajuste em altura é muito limitado e, quando o volante está na posição mais alta, esconde o marcador de combustível e empurrra o acabamento plástico que fica embaixo do painel para cima. Outros pontos negativos são a falta do marcador de temperatura do motor e o tamanho reduzido do mostrador do computador de bordo, que abriga o econômetro (escala que informa o consumo instantâneo de combustível), fazendo com que o motorista desvie um pouco a atenção do trânsito ao dirigir de forma econômica.

CONFORTO
O espaço interno é suficiente para acomodar com conforto quatro adultos e uma criança. A limitada capacidade do porta-malas não é compatível com a proposta familiar aventureira do EcoSport e falta rede para pequenos objetos. Por outro lado, o rebatimento (em 1/3 ou 2/3) do banco traseiro pode ajudar bastante caso viajem apenas duas ou três pessoas. O novo EcoSport tem um bom número de porta-trecos e porta-objetos. A partida sem chave facilita o trabalho do motorista, mas requer um pouco de atenção na hora de entregar o carro ao manobrista para não deixar o motor ligado e ficar com a chave no bolso. Bancos são revestidos em couro e prendem bem os corpos dos ocupantes, mas poderiam ser mais compridos para apoiar melhor as pernas. O do motorista tem regulagem de altura e é fácil encontrar uma boa posição de dirigir. Os sensores de estacionamento traseiros ajudam bastante o motorista nas manobras em marcha a ré, já que a visibilidade traseira não é das melhores.

DUPLA EMBREAGEM Com dupla embreagem e seis velocidades, o PowerShift é um câmbio que supera com facilidade os outros automatizados simples (como os Dualogic, da Fiat; os I-Motion, da Volkswagen; e os Easytronic, da GM), pois elimina qualquer tipo de tranco; mas deixa um pouco a desejar em relação a outros mais sofisticados, como o DSG, da VW e Audi, pois não tem uma reação tão rápida aos comandos do motorista. Também faltam as opções de trocas manuais na coluna de direção ou de forma sequencial na alavanca, pois a mudança por tecla na manopla não é prática. De qualquer forma, o novo câmbio casa bem com o motor Duratec 2.0 16V Flex, proporcionando muito conforto ao motorista, principalmente no trânsito urbano; e oferece opção de troca esportiva (S), que melhora as retomadas de velocidade e as arrancadas. Outra vantagem é a redução (em cerca de 10%, segundo a Ford) do nível de consumo de combustível.

RODANDO
A suspensão consegue um bom equilíbrio entre conforto e estabilidade e, mesmo não sendo uma versão desenvolvida para pequenas aventuras no fora de estrada, se saiu bem em estradas de terra, contando com a ajuda dos pneus de uso misto e da boa altura do solo. O pacote de segurança é interessante e inclui também os controles de tração e estabilidade. A calibragem da direção elétrica é boa tanto em manobras quanto em alta velocidade. O EcoSport com câmbio automatizado é comercializado em duas versões: a SE, mais básica; e a Titanium, topo de linha.

 

Na posição mais elevada, o volante esconde o marcador do nível de combustível(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Na posição mais elevada, o volante esconde o marcador do nível de combustível (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 

 

AVALIAÇÃO TÉCNICA
ACABAMENTO DA CARROCERIA

A pintura tem um bom acabamento. A tampa traseira está bem descentralizada e desnivelada em relação à carroceria e lanternas. As quatro portas têm vários pontos com desnivelamento entre si e a carroceria. O capô está desalinhado em relação às bases da coluna A. REGULAR

VÃO DO MOTOR

O ângulo de abertura do capô é limitado. O suporte da trava central é destacado e invade o espaço de acesso da cabeça. O motor e seus componentes externos preenchem bem o vão, limitando o acesso à manutenção. A identificação e o manuseio dos itens de verificação constante são fáceis. Com o motor em média e alta rotação, o resultado do isolamento acústico é discreto. REGULAR

ALTURA DO SOLO

Falta chapa protetora para a parte inferior do motopropulsor, que é toda em alumínio. Não ocorreram interferências com o solo em nosso percurso de provas. POSITIVO

CLIMATIZAÇÃO

O equipamento é automático digital e apresentou ótimo funcionamento. Há quatro difusores de ar, que têm boa vazão (sete velocidades da caixa de ar) e o fluxo é bem dividido entre condutor e passageiro, devido ao posicionamento e angulação das aletas. O tempo gasto para dar a sensação de conforto foi normal. O sistema apresentou boa vedação, mas não tem a opção de regulagem de temperatura diferenciada e difusor específico para os passageiros de trás. POSITIVO

FREIOS

Apresentaram bom comportamento dinâmico no uso misto. O ABS tem boa sensibilidade e atuou com eficiência. As reações estão bem equilibradas nos dois eixos, inclusive em frenagens simuladas de emergência sobre piso de asfalto seco, molhado e terra batida. Nessas situações, a desaceleração foi eficiente e coerente com a velocidade do veículo. O freio de estacionamento atuou normalmente. O sistema tem função Hill Holder para arrancadas e marcha a ré em piso inclinado. POSITIVO

CÂMBIO

É automatizado com dupla embreagem e tem opção de uso manual sequencial por meio de tecla instalada na lateral do pomo. Há opção do modo esportivo (posição da alavanca em S). O sistema apresentou bom funcionamento em geral. As relações de marchas proporcionam boa dirigibilidade no uso urbano e em rodovias. As trocas de marchas ocorrem sem trancos. O display no quadro de instrumentos tem dimensões reduzidas. POSITIVO

MOTOR

A curva de potência e torque satisfaz bem. A dirigibilidade é bem agradável e segura no uso misto e tem brilho dinâmico. As retomadas de velocidade e aceleração são eficientes. POSITIVO

VEDAÇÃO

Boa contra água. POSITIVO

NÍVEL INTERNO DE RUÍDO

O efeito aerodinâmico se inicia a 100km/h e é crescente com a velocidade. Ao trafegar sobre piso de calçamento, terra e asfalto mal conservado, surgem vários ruídos no habitáculo. NEGATIVO

SUSPENSÃO

O conforto de marcha é razoável pelo nível aceitável de transferência das imperfeições do solo para dentro, além da boa absorção a impactos em geral. A estabilidade é boa numa condução normal e até em uma mais esportiva, pela precisão, velocidade e pouca inclinação da carroceria. O carro consegue contornar curvas (asfalto e terra) de raios variados e tem controle eletrônico de tração e estabilidade, que atuaram com precisão. POSITIVO

DIREÇÃO

A coluna de direção tem ajuste manual em altura e distância. A precisão na reta e em curvas é boa. O diâmetro de giro é bom e a velocidade do efeito retorno satisfaz. A assistência elétrica está muito bem calibrada. O nível de ruídos do conjunto em curvas sobre piso irregular usual é baixo. Os pneus de uso misto contribuem para a estabilidade direcional e lateral, quando o carro roda sobre piso de menor atrito. POSITIVO

ILUMINAÇÃO

O sistema tem sensor crepuscular. Existe luz de cortesia no porta-malas e no para-sol do passageiro. O grupo óptico dianteiro tem construção com refletor simples e apresentou eficiência normal no baixo e alto. Conta com o auxílio de faróis de neblina embutidos no para-choque. O teto tem lanterna com duplo spot fixo na frente e uma lanterna na parte de trás. O quadro de instrumentos, o console central e os interruptores elétricos dos painéis de porta têm fácil visualização e manuseio. POSITIVO

LIMPADOR DO PARA-BRISA

Ele tem sensor de chuva e os esguichos são eficientes no para-brisa e vidro traseiro. O campo de visão no para-brisa é prejudicado no lado condutor pela área não atingida pela palheta próximo à coluna A, engrossando-a. As palhetas apresentaram boa qualidade e o acesso para reposição de água no reservatório instalado dentro do vão do motor é fácil. REGULAR

ESTEPE/MACACO

O estepe tem a roda e o pneu iguais aos de uso. Ele está instalado em suporte fixo na tampa traseira e não atrapalha o campo de visão. O kit de troca vem com porca autoadaptadora antifurto. A operação de troca é normal e conta com o auxílio de prisioneiros fixos nos cubos de roda. POSITIVO

ALARME

O sistema é completo. A chave de ignição é especial e a aproximação do motorista libera o acionamento do motor, por meio de um botão (on/off) instalado no painel. Existe proteção perimétrica das partes móveis e a volumétrica dentro da cabine. Ao dar comando para travar as portas, os vidros sobem automaticamente. O conjunto tem função um toque nas quatro portas (descer/subir) e o sistema antiesmagamento atuou com precisão. POSITIVO

VOLUME DO PORTA-MALAS

O declarado pela fábrica é 362 litros e o encontrado, 341 litros, com o banco traseiro na posição normal e a cortina superior esticada.

 

As lanternas horizontais embutem o comando de abertura da tampa traseira(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
As lanternas horizontais embutem o comando de abertura da tampa traseira (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 

 

(*) Avaliações do engenheiro Daniel Ribeiro Filho, da Tecnodan.

www.danieltecnodan.wordpress.com

FICHA TÉCNICA
MOTOR

Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.999cm³ de cilindrada, 16 válvulas, que desenvolve potências máximas de 140cv (gasolina) e 146cv (etanol) a 6.250rpm e torques máximos de 18,8kgfm (gasolina) e 19,6kgfm (etanol) a 4.500rpm

TRANSMISSÃO

Tração dianteira, com câmbio automatizado de seis velocidades

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS

Dianteira, independente, do tipo McPherson, com braços inferiores e barra estabilizadora; e traseira, semi-independente, com eixo autoestabilizante do tipo twist beam / 6 x 16 polegadas, em liga leve (de série) / 205/60 R16

DIREÇÃO

Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS

A disco na dianteira e a tambor na traseira, com sistema ABS

CAPACIDADES

Do tanque, 52 litros; e de carga útil (ocupantes mais bagagem), 375 quilos

EQUIPAMENTOS

DE SÉRIE
Conforto/conveniência: Assistente de partida em rampa, sistema multimídia Sync (com Bluetooth e comando de voz), ar-condicionado digital, direção com assistência elétrica; vidros, travas e espelhos retrovisores internos com comando elétrico, coluna de direção com regulagem de altura e distância, sistema de acesso inteligente e partida sem chave, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, sensor de estacionamento e retrovisor eletrocrômico.

Aparência: Rack no teto, grade cromada e rodas de liga leve de 16 polegadas.

Segurança: Sistema AdvanceTrac com controle de tração e estabilidade, assistência de frenagem de emergência, faróis de neblina, airbag duplo e freios ABS.

OPCIONAIS
Airbags laterais e de cortina e bancos revestidos em couro.

Notas (0 a 10)
Desempenho 8
Espaço interno 8
Porta-malas 7
Suspensão/direção 9
Conforto/ergonomia 9
Itens de série/opcionais 8
Segurança 9
Estilo 8
Consumo 8
Tecnologia 8
Acabamento 7
Custo-benefício 7


Quanto custa
Na versão Titanium, o EcoSport com câmbio automatizado PowerShift e motor 2.0 16V flex tem preço básico sugerido de R$ 70.890. Com os opcionais, sobe para R$ 74.590. Ele também é vendido na opção mais básica 2.0 (a SE), por R$ 63.390.

 

Cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos no banco de trás(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos no banco de trás (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 

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