Ford New Fiesta 1.6 Titanium - Tirando onda de médio

Marca do oval azul passa a produzir no Brasil o hatch, que ganhou retoques no visual e pacote de itens de série tentador, mas acabamento é mais pobre e preço, salgado

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postado em 15/06/2013 12:12 / atualizado em 15/06/2013 12:13 Enio Greco /Estado de Minas

Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press

Quando se fala em carro com preço superior a R$ 50 mil logo se imagina um modelo médio, com maior espaço interno e acabamento diferenciado. Mas os tempos mudaram. Na onda dos chamados compactos premium, a Ford passou a produzir no Brasil o New Fiesta hatch, que vinha do México para cá com preço salgado, mas com fortes argumentos: boa qualidade e lista de equipamentos completa. Feito aqui, o hatch ganhou retoques no visual e continuou bem equipado, com eficiente conjunto mecânico, mas perdeu em qualidade do acabamento interno e o preço da versão completa é elevado. Motor e câmbio automatizado de duas embreagens são destaques do modelo, que é bom de dirigir.

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RETOQUES O New Fiesta é um projeto global da Ford e ao ser produzido no Brasil incorporou mudanças estéticas aplicadas em outros modelos da marca. A principal diferença estética em relação ao que vinha do México está na dianteira, que ganhou a grade do tipo bocão, semelhante à do Fusion, com formato trapezoidal e barras paralelas cromadas. Os faróis espichados invadindo as laterais e o capô com vincos acentuados enfatizam a robustez e ao mesmo tempo reforçam o aspecto aerodinâmico, que segue pelo para-brisa de inclinação acentuada e teto em arco. A traseira tem vidro estreito, que prejudica a visibilidade, lanternas triangulares e barra cromada na tampa do porta-malas. A parte inferior do para-choque dianteiro é muito baixa e raspa em saídas de rampas.

Traseira mudou pouco  em relação ao importado, ganhando apenas spoiler mais largo e friso cromado - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Traseira mudou pouco em relação ao importado, ganhando apenas spoiler mais largo e friso cromado


POR DENTRO O espaço interno é de compacto mesmo, com porta-malas seguindo os padrões da categoria. O banco traseiro tem encosto reclinável, mas não é bipartido e falta apoio de cabeça central e o cinto de segurança do meio é abdominal. Falhas significativas para um modelo que quer ser premium. Na frente, os bancos têm apoios laterais nos encostos, proporcionando relativo conforto, e o do motorista conta com ajuste de altura, favorecendo a posição de dirigir. Mas atrás o espaço é ideal apenas para dois e desde que não sejam pessoas muito altas, pois podem esbarrar a cabeça no teto. O túnel central no assoalho limita o espaço para as pernas.

ACABAMENTO É triste constatar que para ser fabricado no Brasil o New Fiesta teve que perder em qualidade no acabamento. Enquanto o modelo mexicano tinha painel revestido com material emborrachado, bem melhor, o brasileiro recebeu no lugar um plástico duro, que não tem aparência ruim, mas demonstra nitidamente queda no padrão. Isso sem falar na falta de zelo com a montagem, com encaixes malfeitos e folgas exageradas entre as peças. Os instrumentos têm fácil visualização, com elementos digitais e computador de bordo, além de indicador de marcha engatada. O volante tem boa pega e reúne comandos do som e controlador de velocidade.
Testamos a versão Titanium, a topo de linha, que traz um pacote de itens de série de fazer inveja à concorrência (ver lista de equipamentos na página 3). O hatch conta ainda com assistente de partida em rampa, que não permite que o carro retorne nas arrancadas em subidas.

Painel perdeu muito em qualidade com o uso de plástico duro - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Painel perdeu muito em qualidade com o uso de plástico duro


DESEMPENHO Outro destaque do New Fiesta é o motor Sigma 1.6 16V, com duplo comando variável e independente de válvulas. Ele traz de série o sistema de partida a frio Ford Easy Start, que elimina a necessidade do tanquinho, pois começa a aquecer o combustível antes de o motorista virar a chave na ignição. O desempenho é bom tanto na cidade quanto na estrada, pois o motor é esperto, com bom torque em baixas rotações. Acoplado a ele está a transmissão PowerShift, automatizada de dupla embreagem e seis marchas, que proporciona trocas suaves, sem trancos, favorecendo o desempenho. Tem a posição S, que deixa o carro ainda mais esperto, e a opção de trocas de marchas por meio de uma tecla no pomo da alavanca, que não é muito prática. As arrancadas e retomadas de velocidade são eficientes e o computador de bordo apontou uma média de consumo de 5,7km/l (cidade) e 8,5km/l (estrada) com etanol e 7km/l (cidade) e 13km/l (estrada) com gasolina.

VEREDITO O modelo tem direção com assistência elétrica, que favorece as manobras em baixas velocidades e garante segurança nas estradas. As suspensões foram bem calibradas, com boa estabilidade em curvas e relativo conforto de marcha, prejudicado pelos pneus de perfil 50, que contribuem para a transferência das imperfeições do solo para dentro. Mas o New Fiesta Titanium tem ainda de série os controles eletrônicos de estabilidade e tração, que deixam o motorista seguro em tocadas mais esportivas. O sistema de freios auxiliado pela eletrônica atuou de forma eficiente. Com tudo isso, o New Fiesta 1.6 Titanium se mostra um carro muito interessante, gostoso de dirigir e bem equipado, mas continua sendo compacto, com espaço reduzido e acabamento que não condiz com seu preço.

 

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Confira como a versão topo de linha do Ford New Fiesta se saiu nas avaliações feitas
por nossos especialistas e saiba quais são seus principais pontos negativos e positivos

 

AVALIAÇÃO TÉCNICA
ACABAMENTO DA CARROCERIA

A pintura contém alguns pontos com impurezas. As quatro portas têm pontos com desnivelamento entre si e a carroceria, além de folga fixa bem diferente entre os dois lados. O capô está desalinhado na união com a coluna A (dianteira) do lado direito. A tampa traseira tem montagem razoável. O para-choque traseiro está desalinhado em relação à carroceria no lado esquerdo. NEGATIVO

VÃO DO MOTOR

O vão tem aspecto organizado e é fácil a identificação e o manuseio dos itens de verificação constante. O acesso à manutenção é limitado a vários componentes, devido à pequena área do vão. O capô tem bom ângulo de abertura e é sustentado aberto por vareta manual. O resultado da insonorização (interno do capô e parte do painel de fogo) em relação ao habitáculo é discreto, quando o motor está em rotação média/alta. REGULAR

ALTURA DO SOLO

Raspa com frequência o solo, principalmente o defletor inferior do para-choque dianteiro saliente, em saídas de garagem com desnível, quebra-molas, valetas, e com carga útil máxima ocorre interferência no centro do chassi. Não tem proteção para cárter e caixa de marchas, ambos de alumínio. REGULAR

Câmbio PowerShift é muito bom, mas tecla no pomo da alavanca não é prática - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Câmbio PowerShift é muito bom, mas tecla no pomo da alavanca não é prática
CLIMATIZAÇÃO
É automático digital. Não há difusores de ar específicos para os passageiros de trás nem opção de regulagem diferenciada de temperatura para condutor e passageiro. Funcionou bem, tem dois difusores de formato circular nas laterais do painel, que giram 360 graus, e dois fixos no centro. A vazão de ar é boa (sete velocidades da caixa de ar) e a rumorosidade de funcionamento satisfatória. Está bem vedado. POSITIVO


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FREIOS
Apresentaram bom comportamento dinâmico. O pedal de freio tem boa sensibilidade e relação. O freio de estacionamento atuou normal. O ABS tem boa calibração e sensibilidade e é eficiente sobre piso de baixo atrito e seco. As reações são balanceadas nos dois eixos, com boa desaceleração, e espaço percorrido até a imobilização coerente com a velocidade imprimida. É boa a resistência térmica depois de uso severo em longa descida sinuosa. Tem função hill-holder, que mantém o carro parado em piso inclinado. POSITIVO

CÂMBIO

As relações das marchas/diferencial estão bem definidas, proporcionando dirigibilidade agradável no uso misto e favorecendo a boa dinâmica. Apresentou bom funcionamento com trocas suaves e rapidez, além de resposta razoável em situação de kick down. POSITIVO

MOTOR

A performance é muito boa, com retomadas de velocidade e aceleração que satisfazem bem para a sua cilindrada. Com o veículo carregado (375kg de carga útil) e ar-condicionado ligado, ainda tem uma dirigibilidade boa no uso misto. Rende melhor com etanol no tanque, com ganho de 5cv de potência máxima e 0,4kgfm de torque. A rumorosidade de funcionamento é aceitável. POSITIVO

VEDAÇÃO

Boa contra água e poeira. POSITIVO


NÍVEL DE RUÍDOS INTERNOS

O efeito aerodinâmico é satisfatório até 120km/h. Os ruídos no habitáculo surgem ao trafegar sobre pisos irregulares. REGULAR

Volume do porta-malas segues o padrão dos modelos do segmento - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Volume do porta-malas segues o padrão dos modelos do segmento


SUSPENSÃO

O conforto de marcha está em nível bem razoável, sendo prejudicado pelos pneus da série 50. A estabilidade é boa no contorno de curvas de raios variados, com ótima precisão, rapidez e inclinação moderada da carroceria. Em uma condução mais esportiva, no limite da aderência lateral e direcional, os controles eletrônicos de estabilidade e tração atuaram com precisão. POSITIVO

DIREÇÃO

A coluna de direção tem ajuste em altura e distância, com bom curso, e o volante tem boa pega. A precisão na reta e em curvas é boa. O diâmetro de giro e a velocidade do efeito/retorno agradam. A assistência elétrica está muito bem calibrada, com ótimo conforto e leveza no uso urbano/estacionamento, sendo firme e com boa sensibilidade em rodovias. POSITIVO



ILUMINAÇÃO

O quadro de instrumentos tem iluminação permanente, assim como os interruptores elétricos dos painéis de porta. Tem sensor crepuscular. Os faróis auxiliares de neblina estão embutidos no para-choque. Os faróis têm dupla parábola e apresentaram boa eficiência no baixo/alto, mas não têm regulagem elétrica de altura em função da carga transportada. Tem luz de cortesia somente no porta-malas. No teto, tem lanterna integrada com dois spots móveis e outra no centro, com resultado satisfatório em iluminação. REGULAR

LIMPADOR DO PARA-BRISA

Tem sensor de chuva. Os esguichos (vazão e pressão) são muito bons no para-brisa e no vidro traseiro, assim como as áreas varridas por palhetas de boa qualidade. É fácil o acesso ao reservatório d’ água no vão do motor. POSITIVO

ESTEPE/MACACO

O estepe, com pneu na medida 175/65R14, é especifico para pequenos deslocamentos e com velocidade limitada a 80km/h, solução que não é prática nem funcional no Brasil, devido à péssima qualidade de várias ruas e rodovias, além de alterar completamente o comportamento dinâmico do automóvel e ritmo da viagem. A operação de troca é normal, mas o pino rosqueado que fixa o estepe poderia ter rosca rápida, pois o curso é muito longo. NEGATIVO

ALARME

A chave de ignição é codificada e tem proteção perimétrica das partes móveis contra abertura forçada, e proteção volumétrica dentro do habitáculo contra invasão pela quebra dos vidros. Ao dar comando para travar as portas, por meio de controle remoto instalado na própria chave ignição, os vidros sobem automaticamente com a tecla pressionada. As quatro portas têm função abertura/fechamento do vidro por um toque e o sistema antiesmagamento atuou com precisão. POSITIVO

VOLUME DO PORTA-MALAS

O declarado pela fabrica é de 281 litros e o encontrado foi de 285 litros, com o banco traseiro na posição normal e a tampa do bagagito fechada.

Banco traseiro com espaço limitado e sem apoio de cabeça central - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Banco traseiro com espaço limitado e sem apoio de cabeça central


(*) Avaliações do engenheiro Daniel Ribeiro Filho, da Tecnodan.
www.danieltecnodan.wordpress.com   

 

NOS MÍNIMOS DETALHES

Modelo Ford encara a concorrência, porém tem alguns problemas

FICHA TÉCNICA
» MOTOR

Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.597cm³ de cilindrada, que desenvolve potências máximas de 125cv (gasolina) e de 130cv (etanol) a 6.500rpm e torques máximos de 15,4kgfm (gasolina) e de 16kgfm (etanol) a 3.000rpm

» TRANSMISSÃO

Tração dianteira, com câmbio automatizado PowerShift de seis marchas e dupla embreagem

» DIREÇÃO

Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

» FREIOS

Discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com sistema ABS e distribuição eletrônica de frenagem (EBD)

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» SUSPENSÕES/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, tipo McPherson e barra estabilizadora; e traseira com eixo autoestabilizante, tipo Twist Beam / 6,5 x 16 polegadas, de liga leve / 195/50 R16

» CAPACIDADES

Do tanque, 51,6 litros; de carga (bagagens e passageiros), 402 quilos

No console central é possível ver que encaixes não são benfeitos - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press No console central é possível ver que encaixes não são benfeitos


EQUIPAMENTOS
» DE SÉRIE

Direção elétrica, ar-condicionado digital, vidros dianteiros/travas e espelhos elétricos, My Connection Gen3, sete airbags (frontais, laterais dianteiros, de cortina e de joelhos), freios ABS com EBD, alarme volumétrico, luz de neblina, AdvanceTrac com ESC e TCS (controle eletrônico de estabilidade e tração), HLA (assistente de partida em rampas), SYNC, roda de liga leve 16 polegadas, bancos e volante em couro, controle automático de velocidade, sensores de estacionamento e de chuva, acendimento automático dos farois, espelho retrovisor interno eletrocrômico e câmbio PowerShift.

» OPCIONAIS

Pinturas metálicas ou perolizadas.
Painel perdeu muito em qualidade com o uso de plástico duro - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Painel perdeu muito em qualidade com o uso de plástico duro

QUANTO CUSTA
O Ford New Fiesta 1.6 é vendido na versão inicial SE por R$ 45.490. Já a versão testada, Titanium, tem preços que vão de R$ 54.990 a R$ 56.260.

 

NOTAS (0 A 10)
Desempenho    8
Espaço interno    7   
Suspensão/direção    8
Conforto/ergonomia    7
Itens de série/opcionais    9   
Segurança    9
Estilo    9
Consumo    7
Tecnologia    8
Acabamento    7
Custo/benefício    7   
 

Parte inferior do para-choque raspa fácil em saídas de rampas - Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press Parte inferior do para-choque raspa fácil em saídas de rampas

 

 

 

 

 

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