Truco nas quatro! Vale seis!

Peugeot 408 2.0 Allure com novo câmbio automático acirra disputa nos sedãs médios

Para encarar a acirrada disputa no segmento dos sedãs médios, a marca francesa trocou o ultrapassado câmbio automático de quatro marchas por um de seis bem mais eficiente

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postado em 30/10/2013 10:00 / atualizado em 30/10/2013 10:13 Eduardo Aquino /Estado de Minas

 

Quando a Peugeot lançou o sedã 408 no Brasil, em fevereiro de 2011, ela achou que tinha um bom cacife para encarar o disputadíssimo “carteado dos médios”, do qual participam jogadores do naipe de Chevrolet Cruze, Ford Focus, Honda Civic, Nissan Sentra, Renault Fluence, Toyot Corolla e Volkswagen Jetta, entre outros. O modelo realmente tem algumas cartas na manga: linhas bem modernas, bom espaço interno e acabamento de boa qualidade. Mas faltava à versão 2.0 um câmbio automático à altura, já que a opção de quatro velocidades limitava desempenho, consumo e conforto. Agora, diante das boas jogadas da concorrência (reestilizações, novas tecnologias, novos modelos, como Focus e Sentra), a marca francesa resolveu apostar mais e equipou o 408 com um câmbio mais moderno, além de recalibrar a suspensão e rechear a lista de equipamentos de série.

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MEIA DÚZIA O novo câmbio automático de seis velocidades é o mesmo que equipa as opções da Peugeot e Citroën (as duas formam o grupo PSA) que têm motor 1.6 THP. Desenvolvido pela japonesa Aisin e batizado de AT6, o conjunto permite explorar melhor as possibilidades do motor 2.0. Ele é do tipo que se adapta a topografia do terreno, ou seja, nas descidas ele segura as marchas, para evitar que o carro dispare, e nas subidas efetua as mudanças em rotações mais altas (próximas do torque máximo). As trocas são suaves, bem ao estilo “tiozão”. Se o motorista quiser mais agilidade, basta acionar a tecla S para resolver o problema. Há também a tecla que evita que as rodas girem em falso nas arrancadas em pisos de baixa aderência.

MÃO FECHADA O câmbio AT6 veio acompanhado de pneus de baixa resistência ao rolamento e a dupla fez bem ao consumo do motor 2.0 flex. Abastecido apenas com gasolina, numa estrada de pista dupla e com pouco tráfego, com ar-condicionado ligado e apenas o motorista, o computador de bordo chegou a registrar 13,8km/l. Um número bem razoável para um sedã com motor de dois litros e que pesa quase uma tonelada e meia. Na mesma condição, mas no conturbado trânsito da cidade, os picos chegaram a 7,6km/l. O desempenho também melhorou e, na aceleração até 100km/h, o 408 com o novo câmbio reduziu o tempo em 1,4s em relação ao anterior, de quatro velocidades. Nas retomadas de 80km/h a 120km/h (situação comum em uma ultrapassagem), a redução foi de 0,5s. Por outro lado, a Peugeot poderia ter feito o “serviço completo” e oferecido uma opção de troca manual junto ao volante, e não apenas na alavanca.



ESTILOSO A linha 2014 do 408 não recebeu nenhum retoque no visual, nem por fora nem por dentro. Mas, verdade seja dita, o design do sedã ainda é bem moderno e agrada de forma geral. Externamente, a elegância é marcada pelas faixas cromadas abaixo dos faróis (que são bem afilados) e das lanternas traseiras e nas barras da grade dianteira, pela moldura que envolve o símbolo do leão (que fica bem no “nariz” do carro), pelo formato dos faróis de neblina e pelas lanternas traseiras, que têm lentes na cor rubi. As pitadas de esportividade ficam por conta das rodas de liga de 17 polegadas e das duas falsas saídas de escape. A frente é muito baixa e raspa com facilidade em entradas e saídas de rampa e o sensor de estacionamento na traseira ajuda bastante nas manobras, pois a visibilidade nesse sentido não é das melhores.

AMBIENTE O acabamento interno é de boa qualidade, elegante e tem predominância da cor preta, com detalhes de plástico imitando cromado nos aros dos instrumentos do painel (que têm fundo branco e são de fácil visualização), nas saídas do ar-condicionado, no pomo e na base da alavanca de marchas e nas maçanetas internas das portas. A tela do sistema de áudio e mídia, que fica no alto do painel, é um pouco confusa. Os bancos são forrados de tecido de toque agradável e compatível com o nosso clima tropical, sendo que os dianteiros apoiam bem o corpo. Quem senta nas laterais do banco traseiro tem espaço suficiente para esticar as pernas e desfruta de um bom nível de conforto. Mas o passageiro do meio é incomodado pelo túnel central e pelo apoio de braço embutido no encosto. Todos contam com apoio de cabeça e cinto de três pontos. O porta-malas tem excelente capacidade (526 litros), mas falta rede para prender pequenos objetos e ganchos para fixar carga.

NA MACIOTA O motor 2.0 16V continua o mesmo, rendendo 143cv com gasolina e 151cv com etanol. Não falta fôlego em nenhuma situação. Por outro lado, a Peugeot resolveu dar uma recalibrada nas suspensões dianteira (novo apoio superior da mola) e traseira (colocou buchas de articulação mais macias e um calço de elastômero no apoio da mola com a carroceria) visando a melhorar o conforto. O resultado foi apenas razoável, pois o conjunto não absorve muito bem as irregularidades do piso, embora favoreça bastante a estabilidade. O nível de ruídos é alto, principalmente em calçamento. Chama a atenção a eficiência do sistema de freios, que atuou de forma perfeita em várias situações.


ENCOSTANDO O SEDÃ CONTRA A PAREDE

 

FICHA TÉCNICA
»MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.997cm³ de cilindrada, 16 válvulas, que desenvolve potências máximas de 143cv (gasolina) e 151cv (etanol) e torques máximos de 20kgfm (gasolina) e 22kgfm (etanol)

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»TRANSMISSÃO
Tração dianteira e câmbio automático de seis velocidades

»SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, pseudo McPherson e barra estabilizadora desacoplada; e traseira com travessa deformável e barra estabilizadora integrada/de liga leve de 17 polegadas/225/45 R17



»DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência eletro-hidráulica variável

»FREIOS
Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS e EBD

»CAPACIDADES
Do tanque, 60 litros; e de carga (passageiros e bagagem), 420 quilos

 

EQUIPAMENTOS
» DE SÉRIE
Duplo airbag frontal, freios ABS com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, travamento automático das portas, direção com assistência eletro-hidráulica, ar-condicionado automático e digital de duas zonas, controle automático de velocidade, coluna de direção com regulagem de altura e distância, vidros com comando elétrico e função “um toque” em todas as portas, CD player com MP3, Bluetooth e entradas auxiliar e USB; comando de áudio no volante, computador de bordo com tela multifunções, chave com abertura a distância de portas e porta-malas, rodas de liga leve de 17 polegadas e volante revestido em couro.

» OPCIONAIS
Não tem.


QUANTO CUSTA
A versão Allure com câmbio automático do Peugeot 408 tem preço básico sugerido de
R$ 63.990. O sedã também é vendido na opção Allure com câmbio manual
(R$ 59.990) e na opção Griffe com motor 1.6 THP (R$ 73.990).

 

NOTAS (0 a 10)
Desempenho 8
Espaço interno 9
Porta-malas 8
Suspensão/direção 7
Conforto/ergonomia 8
Itens de série/opcionais 8
Segurança 8
Estilo 9
Consumo 8
Tecnologia 7
Acabamento 9
Custo/benefício 8

AVALIAÇÃO TÉCNICA
ACABAMENTO DA CARROCERIA
A tampa do porta-malas está descentralizada e desnivelada. As quatro portas têm pontos com desnivelamento entre si e a carroceria. A pintura tem bom acabamento. O capô está desalinhado em relação às bases das colunas A. REGULAR

 


VÃO DO MOTOR

O resultado isolamento acústico é razoável. O capô tem bom ângulo de abertura e é sustentado por vareta manual. O motor preenche todo o vão e limita bastante o acesso à manutenção de vários componentes. Os itens de verificação constante têm fácil visualização e manuseio. REGULAR

ALTURA DO SOLO
O carro raspa a proteção inferior do conjunto motopropulsor em saídas de garagem com desnível e ao transpor quebra-molas mais salientes. Com 475kg de carga útil, torna-se ainda mais vulnerável, tocando também a zona central do chassi em algumas situações. REGULAR

CLIMATIZAÇÃO
O painel tem cinco difusores de ar de formato circular com o corpo fixo e na extremidade do console central há dois para os passageiros de trás. Apresentou um bom funcionamento, com baixo tempo para refrescar o habitáculo e nível de ruído satisfatório mesmo na velocidade máxima. Está bem vedado. POSITIVO

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FREIOS
Apresentaram bom comportamento dinâmico e estão muito bem dimensionados e calibrados, com ABS eficiente. O pedal tem ótima sensibilidade. O conjunto apresentou reações balanceadas, boa desaceleração e resistência térmica. Em frenagem de emergência (asfalto seco e molhado), o carro manteve a trajetória imposta e não apresentou afundamento exagerado da frente. POSITIVO

CÂMBIO
O sedã ganhou em dirigibilidade em relação ao anterior, de quatro marchas, apresentando menor consumo e nível de ruído. As trocas são suaves, sem trancos e com boa rapidez. Existe opção de uso manual somente na alavanca principal por meio de teclas. O quadro de instrumentos informa a marcha e opção selecionada. POSITIVO

MOTOR
A curva de potência e torque é boa para a cilindrada e arquitetura do cabeçote. A performance é bem superior com etanol. As retomadas de velocidade e aceleração são eficientes com somente condutor, passando a razoáveis com carga útil máxima e ar-condicionado ligado. O nível de ruído de funcionamento é normal. POSITIVO



VEDAÇÃO
Boa contra água e poeira. POSITIVO

NÍVEL INTERNO DE RUÍDOS
O efeito aerodinâmico inicia-se a 100km/h, aumentando com a velocidade. O habitáculo não é silencioso quando se roda sobre piso de paralelepípedo e asfalto ruim. NEGATIVO

SUSPENSÃO
O conforto de marcha não tem um bom acerto, devido às transferências evidentes das imperfeições do solo para dentro. Com o veículo carregado e pneus calibrados para esta condição, a perda em conforto é ainda mais relevante. A estabilidade agrada bem e o sedã contorna com precisão curvas de raios variados, com pouca inclinação da carroceria. REGULAR

DIREÇÃO
A precisão na reta e em curvas é muito boa. O nível de ruídos é baixo em curvas sobre piso de paralelepípedo, terra e asfalto malconservado. Os pneus para esta versão são muito limitados e vulneráveis para o uso em nossas rodovias mistas e ruas urbanas. O diâmetro de giro é razoável e a velocidade do efeito/retorno, satisfaz. REGULAR

ILUMINAÇÃO
O grupo óptico dianteiro apresentou boa eficiência no baixo/alto. Falta regulagem elétrica de altura do facho. Existem luzes de cortesia no porta-malas, para-sóis e porta-luvas. O habitáculo é bem iluminado para quem senta na frente e atrás. O quadro de instrumentos, o console central e os interruptores nos painéis de porta têm boa identificação noturna. Falta sensor crepuscular. REGULAR

ESTEPE/MACACO
A operação de troca é normal. O kit está dentro de uma caixa plástica abaixo do aro, dentro do porta-malas. O estepe tem a roda em aço e o pneu diferente dos de uso, em medidas, índices de carga e de velocidade (205/55 R16 91V – estepe/ 225/45 R17 94W – de uso). Essa solução prejudica o ritmo de viagem, altera o handling e obriga a reparação imediata do conjunto pneu/roda. NEGATIVO

 



LIMPADOR DO PARA-BRISA
O sistema não tem sensor de chuva e o acesso e manuseio do reservatório de água (dentro do vão do motor) é fácil. As palhetas trabalham cruzadas, têm boa qualidade e varrem uma área razoável. Os esguichos do tipo spray em V atingem toda a área do para-brisa. POSITIVO

ALARME
A chave de ignição é do tipo canivete codificada. Existe proteção perimétrica das partes móveis, mas falta a volumétrica dentro do habitáculo contra a invasão pela quebra dos vidros. As quatro portas têm função de abertura/fechamento dos vidros por um toque e a função antiesmagamento atuou com precisão. Ao dar comando para travar as portas, os vidros não sobem automaticamente. REGULAR

VOLUME DO PORTA-MALAS
O declarado é 526 litros, e o encontrado foi 496, com o banco traseiro na posição normal, triângulo de segurança dentro do porta-malas e fechamento suave da tampa.

www.danieltecnodan.com.br
(*) Avaliações do engenheiro Daniel Ribeiro Filho, da Tecnodan.

 

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Tags: 2.0

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