BMW 320i ActiveFlex - Tomando álcool sem perder a compostura

Primeiro BMW a ser produzido no Brasil, o 320i ActiveFlex encara o combustível essencialmente brasileiro sem perder os típicos atributos de um sedã de luxo alemão, mas os destaques são a boa posição de dirigir, conforto, qualidade do acabamento e motor, na medida certa para o modelo

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postado em 27/06/2014 09:30 / atualizado em 27/06/2014 18:35 Marcello Oliveira /Portal Vrum

Marcello Oliveira/EM/D.A PRESS
São Paulo - Há exatamente 10 anos, as bombas de álcool combustível nos postos voltaram a trabalhar de verdade. Mas até esse ano, só estacionavam em frente a elas carros medianos, alguns importados da Argentina, México e até da China, mas nenhum deles turbo e de nenhuma marca alemã premium. Na era do carro Flex, a BMW foi a responsável em dar um 'nó' na cabeça dos frentistas, que ainda te olham torto quando você diz que quer abastecer seu sedã alemão com etanol. A BMW não foi a responsável apenas em lançar o primeiro modelo com motor turbo com injeção direta bicombustível do mundo, mas também o primeiro carro premium que roda com os dois combustíveis.

 

 

Desenvolvido exclusivamente para o mercado brasileiro, o motor ActiveFlex atualmente equipa os modelos 320i e 328i. O 320i importado para o Brasil hoje vem da Áustria, mas passará a ser fabricado na planta que a BMW está construindo em Araquari, no interior de Santa Catarina, já no segundo semestre deste ano. Segundo o cronograma da montadora, a linha de montagem será inaugurada no dia 30 de setembro, já com a produção em série do 320i ActiveFlex. A cada três meses será introduzido um novo carro na fábrica, sendo a sequência com X1, Série 1, X3 e o Mini Countryman.

 

A BMW jura de pés juntos que os preços não sofrerão alterações porque a atual tabela já foi revisada com a adesão da marca no programa Inovar-Auto, do Governo Federal. Mesmo se nada mudar, o 320i continuará sendo o modelo flex mais caro do mercado brasileiro, sendo vendido por a partir de R$ 133.950 (nas concessionárias ainda encontram-se unidades por pouco menos de R$ 130 mil).

Com 2.810 mm de entre-eixos, há espaço de sobra para dois passageiros no banco traseiro - Marcello Oliveira/EM/D.A PRESS Com 2.810 mm de entre-eixos, há espaço de sobra para dois passageiros no banco traseiro


Assim como o preço, a BMW afirma que a alta qualidade do acabamento, tão característica dos alemães premium, será preservada. A mecânica também seguirá sem alterações.


Gringo chegado na cana brasileira

Dirigir um BMW flex não muda em nada a experiência de ter um legítimo alemão nas mãos. Avaliamos o modelo nas ruas de São Paulo. Como o motor 2.0 TwinPower mantém seus 184 cv de potência e os 27,5 mkgf de torque (entre 1.250 e 4.500 rpm), independentemente do combustível, a vantagem do ActiveFlex fica mesmo apenas na opção de poder escolher entre etanol ou gasolina. Agradável de dirigir, ele tem disposição de sobra para uma condução na cidade e na estrada passa segurança em ultrapassagens. Diria que o 320i é a medida certa da linha Série 3, sem os exageros do 328i, de 245 cv (clique aqui e leia o teste que fizemos com o 328i).


O casamento motor/câmbio tem plena harmonia, mas faltaram as aletas atrás do volante para as trocas sequenciais das oito marchas que deixariam o conjunto mais animado. A caixa é automática convencional, mas as trocas são muito rápidas e extremamente suaves. O som que vem debaixo do capô é discreto e só grita após os 4.500 rpm. Os modos Eco Pro e Comfort são os ideais para suportar bem o caos do trânsito de São Paulo. Se o fluxo desenrolar, vale experimentar o modo Sport na Marginal mais vazia.

Assista ao vídeo


Rodando 6,9 km/l de etanol e 9,0 de gasolina, não é em todas as cidades que o álcool valerá a pena. São Paulo é a capital em que os dois combustíveis mais competem nos postos, já que o etanol pode ser encontrado até por R$ 1,59 e a gasolina R$ 2,69 em média. Já em Belo Horizonte, por exemplo, com o etanol a R$ 2,19 e a gasolina comum a R$ 2,80, dificilmente um BMW ActiveFlex irá beber a cana. O consumo está longe de ser ruim, mas levando-se emc onta o conceito downsizing, poderíamos esperar algo melhor. Usando apenas o modo 'econômico', aliado ao sistema Start/Stop – que desliga o motor em paradas -, a média de consumo certamente poderá melhorar um pouco. Neste teste, usamos todos os modos nos dias de avaliação.


Dirigindo no modo econômico (Eco Pro), o comportamento é mais dócil, o que pode causar estranheza ao motorista acostumado ao temperamento esportivo de um BMW, mas isso ele consegue ao selecionar o modo 'Sport', por exemplo. No 'Eco', as respostas são mais lentas e até mesmo o ar condicionado funciona de forma otimizada. De acordo com o seu comportamento econômico, o condutor vai ganhando pontos, que são transformados em mais quilômetros para rodar com o combustível economizado, tudo isso mostrado de forma motivadora no painel de instrumentos.

Traseira com linhas fluidas e harmoniosas - Marcello Oliveira/EM/D.A PRESS Traseira com linhas fluidas e harmoniosas


Já o modo 'Comfort' permite aproveitar todo o conforto do veículo sem desperdiçar a potência do motor, mas também sem aproveitar a esportividade por completo. A suspensão se mantém equilibrada e confortável para o uso urbano, absorvendo as irregularidades do nosso solo 'lunar'.


Conforto de casa

No resto, é um BMW como qualquer outro, com nível de acabamento inquestionável. Por dentro, as linhas sóbrias já são características da marca e agradam os mais conservadores. O desenho interno do painel e quadro de instrumentos não empolgam, mas tudo é feito com extremo cuidado com a qualidade final e acaba tornando a vida dentro do Série 3 muito mais agradável, principalmente pelo uso de materiais sofisticados, como couro e aço escovado. A ergonomia é o ponto alto do interior deste Série 3. Tudo está ao alcance das mãos e a melhor posição para enfrentar confortavelmente o trânsito é facilmente encontrada pelo motorista, que conta com ajustes elétricos do banco e regulagem de altura e profundidade da coluna de direção.

Interior é conservador, mas não peca em nada quando se fala em qualidade - Marcello Oliveira/EM/D.A PRESS Interior é conservador, mas não peca em nada quando se fala em qualidade


Para quem vai atrás, a situação melhorou em relação à geração anterior. São cinco centímetros a mais de entre-eixos, mas quem vai no meio, ainda encontra dificuldades com o túnel central, que rouba boa parte do espaço.


São 480 litros de capacidade para as bagagens no porta-malas, o que não representa nada de espetacular, sendo que há sedãs populares que passam dos 520 litros, mas o bagageiro do Série 3 atende tranquilamente a proposta do modelo, inclusive bem parecido com o oferecido por seus concorrentes diretos.

Couro de boa qualidade e aço escovado deixam o ambiente interno sofisticado - Marcello Oliveira/EM/D.A PRESS Couro de boa qualidade e aço escovado deixam o ambiente interno sofisticado


Segurança

São seis airbags para proteger os ocupantes (dois frontais, dois laterais e dois do tipo cortina para as cabeças), além de freios ABS com distribuição eletrônica da força de frenagem e freios a disco nas quatro rodas. Controles eletrônicos de tração e estabilidade fazem as devidas intervenções quando necessárias. Ganhou nota máxima (cinco estrelas) nos testes de colisão realizados pelo Euro NCAP, tanto na proteção de adultos, quando na de crianças usando adequados dispositivos de retenção infantil.

Há bom espaço no banco traseiro, mas quem vai no meio, fica limitado pelo túnel central no assoalho - Marcello Oliveira/EM/D.A PRESS Há bom espaço no banco traseiro, mas quem vai no meio, fica limitado pelo túnel central no assoalho


Em todos os testes, o habitáculo ficou praticamente intacto e a energia dos impactos foram absorvidas pelos pontos de deformação programada, poupando a área dos ocupantes, formando, assim, uma célula de sobrevivência.

 

Concorrentes

Arte: Soraia Piva/EM/D.A PRESS

 

Veredicto

O fato de ser bicombustível não representa nenhuma vantagem, pelo menos em grande parte do Brasil, onde o etanol custa proporcionalmente mais caro do que a gasolina. Não há ganhos reais de potência com o combustível derivado da cana. Não use o motor bicombustível como critério de desempate na sua escolha entre outros modelos do mesmo segmento.

Arte: Soraia Piva/EM/D.A PRESS


 

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