Pacote de maldades

Com câmbio CVT, aventureiro chinês JAC T40 tem desempenho razoável, mas peca nos detalhes

Novo conjunto mecânico do JAC T40 é limitado, mas atende. Apesar da grande oferta de equipamentos, falta um ajuste fino no funcionamento de várias dessas funções

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 04/08/2018 18:25 Pedro Cerqueira /Estado de Minas

Modelo tem design encorpado que agrada e faz ele parecer maior do que realmente é - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Modelo tem design encorpado que agrada e faz ele parecer maior do que realmente é
 

Lançado há um ano, o JAC T40 é a principal aposta da marca chinesa para dobrar o volume de vendas registrado em 2017, já que o segmento dos SUVs está em alta. Bom, isso se ela conseguir te convencer que o modelo é mesmo um utilitário-esportivo, já que seu porte é o de um hatch aventureiro. Dessa vez, testamos a versão equipada com câmbio CVT, opção que chegou ao mercado no fim de abril, custando a partir de R$ 7 mil a mais do que a equipada com transmissão manual de cinco marchas.

Com altura em relação ao solo de 18cm, modelo não tem atributos para o fora de estrada - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Com altura em relação ao solo de 18cm, modelo não tem atributos para o fora de estrada

Além do câmbio, o motor adotado no modelo testado também não é o mesmo do manual. O 1.5 flex dá lugar a um 1.6 que “bebe” só gasolina. Já o câmbio automático é do tipo CVT, que oferece opção de troca manual, com seis marchas virtuais. Esse conjunto mecânico oferece uma experiência agradável no trânsito lento da cidade, quando o ganho gradual de desempenho típico do câmbio CVT se mostra adequado. A exceção é partir com o veículo em subidas íngremes, onde a resposta é tímida.

 


Já na estrada, melhor optar pelo modo esportivo, que “trabalha” com rotações mais altas e oferece resposta mais adequada ao ritmo veloz das rodovias. Apesar de melhorar a performance em ultrapassagens e retomadas, o desempenho não passa de mediano. Também é possível optar por trocas manuais, na própria alavanca de câmbio, para uma condução mais dinâmica. A direção tem assistência elétrica, que se mostrou mais leve que o desejado em velocidade elevada. Já as suspensões têm boa relação entre conforto e estabilidade. Os freios são a disco nas quatro rodas.

O rack de teto e o defletor de ar traseiro completam o visual do aventureiro - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press O rack de teto e o defletor de ar traseiro completam o visual do aventureiro

ENCORPADO O design encorpado do T40 agrada. Rodas de liga leve de 16 polegadas e rack de teto enriquecem o visual aventureiro. Já a película preta aplicada no teto tem aspecto grosseiro. O caliper vermelho das pinças de freio força um pouco a barra, já que o veículo está longe da esportividade. O conjunto óptico é bem completo, com direito a luzes diurnas de LED, cornering light, faróis e lanterna de neblina.
Com apliques em couro até no painel, acabamento interno é o ponto forte - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Com apliques em couro até no painel, acabamento interno é o ponto forte

A BORDO O espaço para os passageiros é bom. O banco traseiro acomoda três passageiros com mais conforto que a grande maioria dos modelos. Porém, se por um lado o assento é alto, evitando a flexão das pernas, o assento oferece pouco apoio, comprometendo o conforto. Passageiros com 1,80m de altura já resvalam a cabeça no teto. Segurança básica está garantida com cintos de segurança de três pontos e apoios de cabeça para todos, além de Isofix com Top Tether para ancoragem das cadeirinhas infantis. O porta-malas é pequeno e está longe de ter os 450 litros declarados pelo fabricante. Pelo menos o estepe, com as mesmas dimensões dos pneus de uso, fica guardado ali. É possível ganhar espaço substituindo o isolamento de isopor entre o estepe e o assoalho, uma peça com no mínimo 10 centímetros de largura, por algo mais fino, porém resistente.

Banco traseiro tem bom espaço para dois e segurança básica para três - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Banco traseiro tem bom espaço para dois e segurança básica para três

O painel de instrumentos traz dois mostradores analógicos pequenos, mais um motivo pelo qual o velocímetro analógico faz tanta falta. Em compensação, o banco do motorista tem ajuste de altura, assim como o volante. A visibilidade traseira é ruim. O interior tem bom acabamento, com destaque para o couro com costura vermelha nos bancos, painel, volante, painéis das portas e apoio de braço. Os plásticos usados são de boa qualidade. Os tapetes são acarpetados. A pedaleira tem apliques metálicos. Só não gostamos da fresta que o compartimento do airbag do passageiros deixa no painel, do aplique de plástico imitando fibra de carbono nos painéis das portas e dos puxadores de porta, que são excessivamente brilhantes.
Difícil acreditar que o porta-malas tem mesmo 450 litros de volume, como declarado pela JAC - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Difícil acreditar que o porta-malas tem mesmo 450 litros de volume, como declarado pela JAC

PRECISA MELHORAR Se por um lado o T40 é muito equipado, falta um ajuste fino de tudo isso e um pouco de requinte que vários modelos bem mais baratos já trazem. Pode parecer pouco, mas o simples ato da luz interna ligar quando você desliga o carro já traz muita praticidade à vida do motorista, que vai poder pegar os objetos que carrega sem ter que executar a ação de ligar essa luzinha. No T40 essa luz só vai ligar quando a porta for aberta, quando o motorista já estiver saindo do carro. Os sensores de estacionamento também carecem de melhor ajuste. Se o veículo se aproxima de um obstáculo de marcha a ré, ele naturalmente emite um aviso sonoro, que deveria ser interrompido ao se engrenar uma marcha à frente, já que você já não se aproxima mais desse obstáculo. Mas, no hatch aventureiro da JAC a advertência continua, mesmo sem fazer sentido.

Motor 1.6 16V bebe só gasolina e tem consumo dentro da média - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Motor 1.6 16V bebe só gasolina e tem consumo dentro da média

O sistema para poupar combustível stop/start, que automaticamente desliga o motor quando o carro para e o liga ao arrancar, raramente entra em ação, sugerindo que existe um subdimensionamento (da bateria e/ou do alternador). Uma falha mais grave, que pode culminar numa batida, acontece nas poucas vezes que o sistema stop/start entra em ação. É que, quando o veículo desliga, o assistente de partida em rampa deixa de atuar, fazendo o veículo voltar muito quando está numa subida. Outra coisa que revela pouco cuidado com a adaptação do veículo ao nosso mercado é um erro de grafia no sistema multimídia, onde está escrito “disligar”.
Rodas de liga leve de 16 polegadas são de série, e as pinças de freio pintadas de vermelho destoam da proposta - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Rodas de liga leve de 16 polegadas são de série, e as pinças de freio pintadas de vermelho destoam da proposta

CONCORRENTES Como a JAC tentou posicionar o T40 entre os SUVs de entrada, o modelo acabou ficando bem mais caro que seus reais concorrentes, os hatches aventureiros Chevrolet Onix Activ 1.4 AT, Hyundai HB20X 1.6 AT Style e Ford Ka Freestyle 1.5 AT. E olha que esses modelos já trazem péssima relação custo/benefício. O único que fica mais caro que o modelo chinês é o Honda WR-V, derivado do Fit. Vale lembrar que, nesses sete anos em que a marca chinesa opera no Brasil, a JAC Motors já sofreu uma considerável redução no número de concessionárias, adiou a construção de sua fábrica no país e também abandonou a venda de seus principais modelos (o hatch J3 e o sedã J3 Turin) para se dedicar aos SUVs.
Erro de grafia no sistema multimídia revela pouco cuidado com a adaptação do veículo ao nosso mercado  - Pedro Cerqueira/EM/D.A Press Erro de grafia no sistema multimídia revela pouco cuidado com a adaptação do veículo ao nosso mercado

CONECTIVIDADE A central multimídia só equipa essa versão mais cara do JAC T40. A tela tátil de oito polegadas também exibe informações do sistema de ar-condicionado digital. O sistema é bem básico, trazendo apenas algumas mídias (rádio, Bluetooth, entradas USB, auxiliar e de iPod) e função de telefonia. Sempre faz falta a navegação nativa, ainda mais nesse caso, quando não existe espelhamento do smartphone. Além da tradicional câmera traseira, que auxilia em manobras, outro item do Pack 3 que equipa o modelo é a câmera frontal, que registra as imagens à frente, servindo até como prova em caso de sinistro.


FICHA TÉCNICA

MOTOR (*)
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.590cm³ de cilindrada, a gasolina, com potência máxima de 138cv a 6.000rpm e torque máximo de 17,1kgfm a 4.000rpm

TRANSMISSÃO (*)
Tração dianteira e câmbio automático CVT de seis marchas, com opção de trocas manuais

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS (*)
Dianteira, independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora; e traseira, semi-independente, com eixo de torção/ liga leve de 16 polegadas /205/55 R16

DIREÇÃO (*)
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS (*)
Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS

CAPACIDADES (*)
Peso, 1.220 quilos; porta-malas, 450 litros; tanque, 42 litros; de carga (passageiros e bagagem), 375 quilos

DIMENSÕES (*)
Comprimento, 4,13m; largura, 1,75m; altura, 1,56m; distância entre-eixos, 2,49m; altura em relação ao solo, 18cm

DESEMPENHO (*)
velocidade máxima de 191km/h (g)
Aceleração até 100km/h em 11,1 segundos

CONSUMO (**)
Cidade: 11,6km/l(g)
Estrada: 12,1km/l (g)

(*) Dados do fabricante
(**) Medição do Inmetro


EQUIPAMENTOS
DE SÉRIE
Ar-condicionado digital; piloto automático; faróis com regulagem elétrica de altura; função Follow Me Home; luzes diurnas; faróis e lanternas de neblina; para-sóis com espelho iluminado; retrovisores com ajustes elétricos; retrovisor interno antiofuscante; bancos revestidos em couro; airbags frontais; portas com barras de proteção lateral; travamento automático das portas a 15 km/h; freio ABS com EBD; assistente para frenagens de emergência; controle eletrônico de tração e estabilidade; assistente de partida em rampa; sistema de monitoramento da pressão dos pneus; câmera frontal; sensores de estacionamento dianteiros e traseiros; computador de bordo; câmera de ré; Isofix; sistema multimídia com tela de oito polegadas; rack de teto; chave canivete; faróis com acendimento automático.

OPCIONAL
Não tem.

QUANTO CUSTA?
O JAC T40 1.6 com câmbio CVT é vendido a partir da por R$ 70.990. A unidade testada, equipada com o Pack 3, tem preço sugerido de R$ 73.990.

NOTAS
Desempenho 7
Espaço interno 7
Porta-malas 7
Suspensão/direção 7
Conforto/ergonomia 7
Itens de série/opcionais 8
Segurança 7
Estilo 8
Consumo 7
Tecnologia 7
Acabamento 8
Custo/benefício 5






Tags: aventureiro hatch suv chinês cvt câmbio t40 jac

Veículos

Encontre seu veículo

Últimas notícias

ver todas
04 de agosto de 2018
30 de julho de 2018

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação