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Estado de Minas

Idiossincrasia - Personalização de série

Fabricantes aderem à onda tuning e apostam que tendência pode fortalecer venda de acessórios. Mas tratam o tema com cuidado para não serem vinculados à insegurança


postado em 05/11/2006 10:28

Peugeot 206 Hurricane é colado no chão, o que inviabiliza que rode nas ruas brasileiras(foto: Roberto Konda/Peugeot/Divulgação)
Peugeot 206 Hurricane é colado no chão, o que inviabiliza que rode nas ruas brasileiras (foto: Roberto Konda/Peugeot/Divulgação)
A essência do tuning é projetar um carro cheio de estilo para o bom ou mau gosto com itens que tornem o proprietário um ser único entre a fauna de excêntricos e fanáticos com automóvel. As montadoras, como não poderia ser diferente, crescem o olho nesse nicho de mercado. Porém, seguram a língua, escamoteiam argumentos e bradam que o tuning feito por elas é bem diferente do que se vê nas ruas e oficinas mambembes. Querem distância, principalmente, da falta de segurança e do desrespeito à lei, que ocorre com alguns carros tunados. Quando trabalhamos em uma montadora, visamos à parte comercial, mas temos que trabalhar dentro da realidade da segurança e da economia, explica o responsável pelo marketing de acessórios da Renault, Acácio Braz.

A Renault apresentou no 24º Salão do Automóvel, encerrado no último domingo, o Clio Tunning, que é um Clio 1.6 16V equipado com molas mais curtas na suspensão, bancos de couro, rodas de liga leve esportivas de 16 polegadas, lanternas traseiras com plástico translúcido, saias laterais e spoiler frontal. A grande atração é o equipamento de som, com dois amplificadores e dois subwoofer de 10 polegadas, além de duas telas para DVD no interior do porta-malas. O principal objetivo é promover a linha de acessórios da marca, pois todos os itens podem ser comprados nas revendas autorizadas, com exceção da parafernália de som. O mercado se revela atraente e Braz afirma que a Renault está buscando uma solução com fornecedores para os itens badalados entre os amantes do tuning que não obedecem à lei.

Modelos

O tunado da Renault não foi o único de fábrica exposto no salão. A Peugeot apresentou o 206Hurricane, que tem pára-choques alargados, motor turbinado de 160 cv (a 4.850 rpm) e assoalho colado no chão. A Dodge, por sua vez, equipou a picape Ram com estribos laterais moldados, pára-choques esportivos na cor do carro e entrada de ar no capô e, assim como a Renault, comercializa os acessórios nas revendas.
Junto com o 206 Hurricane, a picape Dodge Ram serve apenas como chamariz para a venda de acessórios e equipamentos dos carros de série(foto: Daimler-Chrysler/Divulgação)
Junto com o 206 Hurricane, a picape Dodge Ram serve apenas como chamariz para a venda de acessórios e equipamentos dos carros de série (foto: Daimler-Chrysler/Divulgação)

A venda de penduricalhos também pega carona no tuning para a General Motors. O gerente de marketing e acessórios da GM, Cláudio Dagostini Nascimento, explica que, para trabalhar a onda tuning, a melhor forma é pegar os anseios do consumidor, mas preservar a segurança e as características de segurança. A dicotomia constatada por Dagostini é que a montadora depende do volume para produção, o que vai contra a alma dos tunados. Outra forma de agradar aos fãs do tuning são os adereços esportivos. Dagostini cita o exemplo do Prisma, que pode ser incrementado com pedaleira cromada, aerofólios e outros acessórios. A GM também tem a linha SS, para Astra, Meriva e Corsa.

Estilo

O coordenador da pós-graduação em Design Automobilístico da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), Luiz Dutra, não acredita que as alterações dos carros tunados possam influenciar os projetos dos carros de série. É apenas um modismo que a indústria pega para vender, afirma. Entretanto, Dutra considera que o trabalho dos projetistas de carros tunados contribui para melhorar a cultura automobilística.

O Ford Fusion, por exemplo, tem as lanternas traseiras que remetem ao estilo adotado pelos carros tunados. O kit ST do Focus e a linha R da Fiat, que foi inaugurada com o Uno Mille e ressurgiu recentemente com o Palio 1.8, também carregam um quê que agrada ao público dos tunados, mas que foca nos fãs dos esportivos. Dutra, que quando trabalhava na Fiat participou na concepção da linha R, não vê uma relação direta entre o renascimento da versão e o crescimento do público de carros tunados.

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