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Estado de Minas CASO POWERSHIFT

Em audiência, donos de Ford equipados com o Powershift relatam riscos à segurança

Ultrapassagem traumática e colisão estão entre situações de mal funcionamento do Powershift relatadas no MP. Ford reconhece trepidação no New Fiesta, Ecosport e Focus e mantém contaminação como causa


postado em 18/02/2016 17:27 / atualizado em 18/02/2016 18:19

(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press)
(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press)
Proprietários de New Fiesta, Ecosport e Focus relataram nesta quinta-feira (18) ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), situações de risco à segurança causadas pelo mal funcionamento do Powershift. O câmbio automático de dupla embreagem apresenta sucessivas queixas de desempenho, não só de trepidação, como também superaquecimento, travamento, dificuldade para troca de marchas, perda de força, ruídos e trocas prematuras de kits de embreagem. Apesar da gravidade do caso, a Ford mantém a justificativa dada ao Procon-SP de que a origem é a contaminação por fluido de transmissão entre as partes seca e úmida de uma das embreagens, com consequente troca do vedador/retentor da transmissão como possível solução. Uma definição sobre o caso será dada pela Justiça em 30 dias, a contar da publicação da ata da reunião.

A exemplo do que declarou ao Procon-SP, a Ford se comprometeu a estender a garantia de 3 para 5 anos ou até 160 mil km, mas somente nos casos de New Fiesta e EcoSport 2013/2014 e Focus 2014 em que for detectada a vibração – proprietários serão informados via carta comum ou mala direta. Donos de unidades 2014 e 2015 e com os outros problemas, porém, também reclamam. O Vrum acompanha o caso desde setembro do ano passado.

A audiência pública realizada ao longo de cinco horas na Promotoria de Defesa do Consumidor, em Belo Horizonte, ficou marcada pela insatisfação e insegurança dos proprietários de carros equipados com a transmissão, apontada como inovação tecnológica ao ser lançada no New Fiesta em 2012.

Câmbio automatizado é alvo de sucessivas queixas de consumidores; desvalorização é uma delas(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press)
Câmbio automatizado é alvo de sucessivas queixas de consumidores; desvalorização é uma delas (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press)
O engenheiro mecânico Marcelo Costa Penna se emocionou ao falar que teve de jogar o New Fiesta Sedan 2014 da família no acostamento da BR-262, numa viagem ao Espírito Santo, para não bater de frente num caminhão. Durante uma ultrapassagem, o câmbio do carro de Marcelo não engatou a marcha correta e o New Fiesta perdeu desempenho. A bordo estavam duas crianças de um e três anos. Outro dono de New Fiesta de Contagem contou ter sido acertado por uma moto no para-choque traseiro depois do o câmbio patinar. Houve ainda relatos em que o câmbio levou o carro a avançar sozinho em paradas de semáforos, com risco de atropelamentos a pedestres.

Protocolar Na contramão da gravidade do caso, o representante da Ford se ateve a responder os proprietários de carros e o MP de forma protocolar, se esquivando de explicações. Para o engenheiro designado pela fábrica, “aspereza e troca de marchas mais firmes são características” do Powershift e a contaminação do óleo de material de atrito do disco de embreagem, com consequente trepidação, é a única falha detectada para a série de ocorrências. “Não existe nenhuma possibilidade de as unidades fora desse lote (2013/2014 e 2014, no caso do Focus) apresentaram contaminação. O disco de embreagem é um item de desgaste natural e a troca é uma liberalidade da Ford. Não existe nenhum risco à segurança”, disse, descartando recall – a Ford argumenta que não há registro de acidentes para fazê-lo.

Justificativa dada ao MPMG é a mesma apresentada ao Procon-SP(foto: Bruno Freitas/EM/D.A.Press)
Justificativa dada ao MPMG é a mesma apresentada ao Procon-SP (foto: Bruno Freitas/EM/D.A.Press)
Para o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Amauri Artimos da Matta, a garantia contratual de cinco anos é relativa, uma vez que as falhas envolvendo o Powershift representam vício oculto. “O que vale é a garantia legal, válida em 90 dias a partir do momento em que o problema for reclamado. Nestes casos, há direito a troca do produto ou reembolso do valor pago, segundo o Código de Defesa do Consumidor”.

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